Levantamento feito com 2 mil pessoas em todo país mostra que cresceu a percepção sobre a necessidade de ter uma idade mínima para aposentadoria. Apoio às mudanças aumentou entre os que conhecem a proposta

Manaus – A maioria da população acredita que a reforma da Previdência é necessária. É o que mostra a pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Reforma da Previdência. O levantamento, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ouviu 2 mil pessoas em 126 municípios entre 20 e 23 de junho, logo depois da aprovação da proposta em primeiro turno na Câmara dos Deputados. Entre os entrevistados 60% concordam que a reforma é necessária. Desses, 32% concordam totalmente e 28% concordam em parte com a afirmação. Outros 34% dizem que a reforma é desnecessária.

De acordo com a pesquisa, 65% dos brasileiros sabem que o governo federal apresentou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma da Previdência. No entanto, apenas 35% conhecem o conteúdo do texto. Entre eles, 5% dizem ter amplo conhecimento e 30% conhecem só os principais pontos. Entre os 35% que conhecem a proposta, 52% são favoráveis e 46% são contrários. O número de pessoas favoráveis, entre aqueles que conhecem a proposta, é 10 pontos percentuais superior ao registrado na pesquisa de abril deste ano, quando 42% diziam que apoiavam a proposta. Em abril, 54% eram contrários ao texto.

“O apoio da população à proposta do governo cresceu em um curto espaço de tempo. Isso mostra que mais pessoas estão  avaliando a reforma como positiva para o país”, observa o economista da CNI Fábio Guerra. Segundo ele, a reforma da Previdência é crucial porque garante a sustentabilidade do sistema previdenciário, assegurando o pagamento futuro das aposentadorias. “Além disso, a reforma é importante porque retira algumas injustiças do sistema atual e contribui para a sustentabilidade das contas públicas e o equilíbrio macroeconômico do país, condições fundamentais para acelerar o ritmo de crescimento da economia brasileira”, afirma Fábio Guerra. “Outro ponto positivo,  é que a aprovação das reforma da Previdência abre espaço para outras reformas, como a tributária, que são importantes para aumentar a competitividade do País e para a criação de empregos”,  completa o economista.

A pesquisa mostra ainda que cresce a percepção sobre a necessidade de se estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria, um dos principais pontos da proposta aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 12 de julho. Mais de sete em cada dez brasileiros (73%) concordam totalmente ou em parte que é necessário estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria. O número é maior do que os 65% registrados em dezembro de 2015. Em abril deste ano, o percentual dos que acreditavam que era necessário estabelecer uma idade mínima foi de 72%, igual ao atual, pois está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar de a maioria da população acreditar que é necessário estabelecer um idade mínima de aposentadoria visto que as pessoas estão vivendo até idades cada vez mais avançadas, a maioria da população (75%) não concorda que as pessoas devam se aposentar cada vez mais tarde.  Para 21% da população, as pessoas devem se aposentar com 50 anos ou menos. Outros 26% acham que a aposentadoria deve ocorrer entre 51 e 55 anos e, para 33%, a idade para se aposentar deve ficar na faixa de 56 a 60 anos. Ou seja, a maioria dos brasileiros (80%) acha que as pessoas devem se aposentar com 60 anos ou menos.

Ainda segundo a pesquisa, 19% acham que a idade da aposentadoria deve ser superior aos 61 anos. Em 2007, apenas 8% dos brasileiros entendiam que as pessoas deveriam se aposentar com 61 anos ou mais, o que sugere um ligeiro aumento na percepção da população de que a aposentadoria deva ocorrer depois dos 61 anos.

O levantamento também mostra que 57% dos entrevistados não consideram justo que alguns grupos de pessoas se aposentem com regras diferentes. Para 38% é justo que isso ocorra. Além disso, aumentou a percepção de que a manutenção de regras diferentes de aposentadoria para alguns grupos tem um custo para toda sociedade. Sete em cada dez brasileiros concordam que, quando alguns grupos se aposentam com regras diferentes, o restante da população é prejudicado. Em 2015, cerca de quatro em cada dez brasileiros tinham essa percepção (45%).

Mesmo assim, a população apoia regras diferentes para alguns grupos. Entre os que devem ter tratamento diferenciado estão as mulheres, os trabalhadores rurais, os professores, os policiais civis, as Forças Armadas e os policiais militares.  Seis em cada dez entrevistados concordam total ou parcialmente que as mulheres tenham regras diferentes das dos homens. Além disso, 64% concordam total ou parcialmente com regras diferentes para trabalhadores rurais e 62% acreditam que os professores também podem ter normas especiais.

A maioria da população (56%) concorda que o valor da pensão dos viúvos ou viúvas que têm mais filhos menores de idade deve ser maior do que a dos que têm menor número de filhos. Essa é uma das regras da reforma em tramitação no Congresso.

Além disso, a maioria dos brasileiros acredita que é dever da sociedade garantir um salário mínimo a todos os idosos de baixa renda, inclusive para aqueles que nunca contribuíram para a Previdência. O percentual dos que concordam com essa afirmação subiu de 69% em 2015 para 76% em 2019.

O levantamento informa ainda que 84% dos brasileiros não estão dispostos a pagar mais impostos para manter o sistema atual de aposentadorias, praticamente o mesmo percentual registrado em 2015, quando era de 85%. Apenas 14% estariam dispostos a pagar mais impostos para manter as regras em vigor.

Para resolver o problema da falta de recursos da Previdência, 62% dos entrevistados dizem que as regras devem ser mudadas. No entanto, 34% acreditam que as mudanças devem alcançar apenas quem ainda não contribui parta a Previdência. Outros 28% dizem que as regras devem mudar para quem já contribui, mas ainda não se aposentou e 22% acreditam que o sistema atual deve ser mantido, sendo que o dinheiro necessário para compensar a falta de recursos da Previdência deveria ser obtido por meio do aumento de impostos.