A disparada do preço do arroz pode ser explicada pelo aumento da demanda, tanto por parte do mercado nacional como do internacional, ambos influenciados pela pandemia do coronavírus. Nas últimas semanas, um pacote de cinco quilos de arroz, que normalmente custa R$ 15, pôde ser encontrado em alguns lugares a R$ 40. Com isso, alguns supermercados já restringem a quantidade que cada cliente pode comprar.

Por parte do mercado nacional, especialistas explicam que houve um aumento na demanda, enquanto a oferta já estava “dada”, ou seja, a quantidade de arroz oferecida no mercado era praticamente fixa, pois o plantio já havia sido feito, mas o interesse da população pelo item cresceu nos últimos meses.

“Ao longo dos últimos anos, tínhamos uma queda no consumo de arroz. Quanto maior a renda da população, menor o consumo de arroz, porque você vai migrando o consumo, consumindo mais proteína, por exemplo. Logo, se você consome menos um produto, excedente aumenta e o preço cai. Então, os produtores de arroz foram buscar outras fontes de renda”, explicou Lucilio Alves, pesquisador responsável pela área de arroz do Cepea/ USP.

“Só que em 2020, começa a haver a restrição de locomoção, e as pessoas vão buscar alimentos de fácil preparo em casa e a preços competitivos. Tivemos um choque de demanda, e os estoques caíram. O estoque de passagem estava previsto para ser baixo até fevereiro de 2021. Além disso, tivemos neste ano o auxílio emergencial dado às pessoas.”

Já por parte do mercado internacional, o interesse pelos produtos brasileiros se dá pela competitividade dos preços em função da desvalorização de quase 40% do real nos últimos 12 meses, em comparação com o dólar. “Com a aversão ao risco causada pela pandemia, o dólar subiu, enquanto o real caiu. Logo, qualquer produto produzido em real ficou mais barato para se comprar no exterior”, disse Felipe Serigatti, coordenador do mestrado profissional em Agronegócios da FGV, explicando como a elevação da taxa de câmbio favorece a exportação.

Até quando o preço do arroz vai continuar alto?

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, a produção de arroz estimada para a próxima safra (2020/21) é de 12 milhões toneladas, o que representa um aumento de 7,2% em relação à safra anterior. Com o aumento da oferta de arroz, que começa a ser comercializada em março de 2021, a expectativa é de queda de preços no próximo ano.

Devo estocar arroz?

Não. “Esse alarde pode fazer com que as pessoas corram ainda mais para o mercado, e por isso os preços podem aumentar ainda mais”, disse Alves.

Com informações do jornal O Estado de São Paulo