Saiba o que Elisabeth Valeiko fez para proteger o filho acusado de assassinato

Por Bruno Almeida em 12 de maio de 2022 às 11:48 | Atualizado 12 de maio de 2022 às 11:50

Manaus – Nesta quinta-feira (12), o Portal CM7 Brasil resolveu aderir o famoso Throwback Thursday, ou como é mais conhecido, o TBT. Vamos então relembrar o dia 29 de setembro de 2019, que foi marcado por  um assassinato, mas não qualquer assassinato como os que são noticiados diariamente, porque esse, envolveu dinheiro, poder, influência e política.  E após dois anos e meio, familiares do engenheiro Flávio Rodrigues do Santos continuam clamando por justiça neste caso. 

Flávio Rodrigues dos Santos – Vítima.

O Caso 

Era um domingo, e o engenheiro Flávio dos Santos, que tinha 42 anos, foi convidado por José Edvandro Martins de Souza Júnior para uma comemoração entre amigos em um condomínio de luxo, o Belvedere dos Pássaros, localizado na Avenida do Turismo, no bairro Ponta Negra, na zona Oeste de Manaus.

Condomínio Belvedere dos Pássaros .

A festa acontecia na casa de Alejandro Molina Valeiko, filho da ex-primeira dama de Manaus, Elizabeth Valeiko, e enteado do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto.

Alejandro Valeiko e Elizabeth Valeiko.

Local do Crime – Casa de Alejandro Valeiko.

Tudo ia bem, até que se iniciou uma discussão, que logo se transformou em uma briga e acabou com o engenheiro recebendo seis golpes de faca. A princípio, esse desentendimento teria começado por ciúmes, inclusive, Alejandro chegou a afirmar em depoimento que seria homossexual. 

Com Flávio ferido e agonizando, o policial militar Elizeu da Paz de Souza, que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e seria segurança de Alejandro, teria ido até o local para ajudar a todo custo o seu protegido, no entanto, ao chegar na casa, teria encontrado o engenheiro morto e resolveu pôr o corpo no carro da prefeitura, modelo Corolla, de placa PHY-8178, para desová-lo o mais rápido possível. 

Elizabeth Valeiko, Arthur Neto e Elizeu da Paz de Souza.

Carro usado no crime.

Câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que Elizeu deixou o local, com o corpo de Flávio jogado no banco de trás. Com ele, estava Mayc Vinicius Teixeira Parede, amigo de Alejandro.

Os dois foram até um terreno baldio, localizado no bairro Tarumã, próximo à casa de Alejandro, e desovaram o corpo. Flávio foi encontrado na tarde do dia 30 de setembro, amordaçado, sem camisa e sem bermuda, apenas de cueca, com marcas de espancamento e facadas pelo corpo. 

Corpo do engenheiro Flávio.

A princípio, de acordo com as investigações, os envolvidos no caso teriam citado que dois homens encapuzados, que seriam Eliezeu e Mayc, teriam invadido a casa de Alejandro e sequestrado Flávio, por uma suposta dívida de drogas. Essa versão chegou a ser defendida, inclusive, por Arthur Neto, que no tempo era Prefeito de Manaus. 

Mayc Vinicíus Parede.

“A casa de Alejandro foi invadida na noite do último domingo. Dois homens encapuzados, “cobrando” dinheiro a um dos presentes. Um dos meninos se trancou no banheiro e Alejandro recebeu golpe de coronha que lhe abriu a cabeça. Levaram o que queriam: o rapaz Flávio, a quem “cobravam” pagamento pelo trabalho maldito que leva pessoas à perdição (…) Sequestraram e assassinaram Flavio”, disse Arthur, que buscou inocentar, antes de qualquer investigação, o enteado. 

Ex-prefeito de Manaus e padrasto de Alejandro Valeiko, Arthur Virgílio Neto.

Arthur então disse que Alejandro era viciado em drogas e ainda teria sido ‘vítima’ dos supostos sequestradores de Flávio. 

“Botemos um ponto final: Alejandro estava recebendo amigos. Teria cabimento que sumisse por segundos e voltasse de capuz, armado (ele nunca usou nem canivete) e sequestrasse Flavio? Sim, porque o assassino desse pobre rapaz o sequestrou e, para fazer isso, teve de abrir a cabeça de Alejandro com uma coronhada”, afirmou o ex-prefeito. 

No entanto, em um condomínio de luxo, como seria possível sequestradores entrarem sem a autorização do dono? Este foi o primeiro questionamento feito pela Polícia Civil. Após as imagens de segurança do Belvedere dos Pássaros serem divulgadas, ficou claro que não houve sequestro, visto que Elizeu era íntimo de Alejandro e apareceu dirigindo o carro, logo foram  identificadas mentiras nos depoimentos e prisões foram decretadas. 

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Mayc e Elizeu saindo da casa de Alejandro com o corpo de Flávio. 

Prisões 

Com o passar das investigações, José Edvandro Martins de Souza Júnior, que levou Flávio para a festa, teve a prisão preventiva decretada por denúncia caluniosa, visto que mentiu sobre o sequestro. 

José Edvandro Junior foi levado à DEHS — Foto: Rickardo Marques/G1 AM

José Edvandro Martins de Souza Júnior.

Elizeu da Paz de Souza, que dirigiu o carro com o corpo, também foi preso por homicídio triplamente qualificado, fraude processual e ocultação de cadáver. 

Mayc Vinicius Parede, que foi flagrado no carro com Elizeu, confessou ter esfaqueado Flávio. Ele foi preso por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. 

Mayc Parede se entregou à polícia na última sexta-feira (4) — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Mayc Vinicius Parede.

Alejandro Valeiko também chegou a ser preso, acusado de homicídio triplamente qualificado, omissão penalmente relevante e ocultação de cadáver, mas posteriormente foi solto, passou a ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica e atualmente está em liberdade.

Alejandro Valeiko chega à DEHS, em Manaus — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Alejandro Valeiko.

A irmã de Alejandro, Paola Valeiko, também virou réu no processo do Caso Flávio por fraude processual, mas não chegou a ser presa.  Ela foi quem limpou o sangue do engenheiro da casa, e usou a desculpa de que o cachorro estava lambendo. 

Paola Valeiko.

Justiça 

Após dois anos e meio do caso, que ainda atormenta os familiares de Flávio, Paola Valeiko e José Edvandro foram sumariamente absolvidos de suas acusações.

O Juiz responsável pelo caso, Celso Souza de Paula, da 1ª Vara do Júri, também decidiu pela impronúncia de Alejandro Molina Valeiko, um dos principais acusados na morte do engenheiro Flávio. Com tal decisão, o filho da ex-primeira não será julgado em plenário pelo crime. O magistrado considerou que faltam provas que comprovem o envolvimento de Alejandro no assassinato, e isso revoltou a sociedade manauara. 

Juiz pauta audiência de instrução do 'Caso Flávio' para os dias 27, 28 e 29 de julho deste ano

Juiz Celso Souza de Paula

“Se havia provas no início do processo, onde elas estão agora? Essa decisão foi influenciada pelo poder do ex-prefeito Arthur Neto?”, foram os questionamentos mais feitos por quem acompanhou o desdobramento do macabro caso. 

Já Elizeu da Paz de Souza e Mayc Vinicius Teixeira Parede serão levados a júri popular. Os dois aguardam o julgamento em liberdade.

 A última movimentação do caso ocorreu em dezembro de 2021. O Ministério Público do Amazonas ainda deve recorrer da decisão do Juiz. Os familiares do engenheiro Flávio permanecem esperando que de fato a justiça seja feita, independente da classe social, do poder e da influência dos envolvidos no crime. 

Audiência do 'Caso Flávio' será retomada em setembro | Amazonas | G1

O que fez Elisabeth Valeiko pelo filho

Desde o princípio do crime, Elisabeth não se dispôs a ouvir familiares de Flávio e até mesmo os outros envolvidos no ocorrido, apenas declarou, a todo custo, que seu filho era inocente.

“Meu filho é doente, mas ele não é um assassino, ele não matou ninguém”, disse Elisabeth.

primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro

Relatando para a mídia que o filho era ‘vítima da sociedade’ e que ela não fazia ideia de nada, a ex-primeira dama de Manaus acabou tendo o celular apreendido pela Justiça no dia 11 de junho de 2021, quase dois anos após o assassinato.

Os investigadores queriam saber se de fato ela foi acionada pela filha após o crime, como foi relato por ela em depoimento à polícia.

Segundo Elisabeth,  na noite do crime ela estava com o marido, o ex-prefeito Arthur Virgílio Neto, no Hospital Adventista quando recebeu uma ligação da filha Paola pedindo para que ela fosse a casa de Alejandro, pois ele estava ferido e outro rapaz machucado.

Valeiko então foi até o condomínio na companhia de um policial militar. Ao chegar lá, encontrou Alejandro ferido na cabeça e perguntou dele o que estava acontecendo notando que ele estava sob efeito de álcool e drogas, e dizia: “mãe, tá tudo bem”.

Em seguida falou com um dos homens que estava na casa com o filho, que depois soube se chamar Magno. Segundo ela, Magno contou que estavam na sala quando um homem encapuzado entrou no local e perguntou: “cadê o dinheiro?” correndo ele para o banheiro.

Ao saber disso, ela perguntou de Alejandro se ele estava devendo alguém, o que foi negado por ele. Depois, ela conversou com a filha, Paola, o genro Igor, Vitório, o síndico do condomínio e um homem chamado Ronaldo que estava dentro da casa no momento.

Elisabeth confirmou que viu na garagem gotas de sangue e um carro branco, que depois soube ser de Flávio. Mas nega ter visto sangue dentro da residência, apesar disso foi informada pela filha que tinha sangue na residência e que Paola disse ter limpo as manchas já que a cadela de Alejandro estava pisando e sujando ainda mais o local.

A primeira-dama disse ainda que ninguém comentou com ela que Elizeu esteva na casa minutos antes e que Vitório disse não ter presenciado nada pois estava em seu quarto.

Preocupada com o filho que estava drogado e com o fato de Magno ter dito que o homem encapuzado procurava por dinheiro, ela acreditou que a confusão pudesse ser por conta de dívida de drogas e por isso mandou o filho e Vitório irem dormir em um hotel.

Segundo Elisabeth, no dia seguinte ela ainda não sabia que Flávio havia morrido e nem o teor do depoimento de Alejandro e Vitório na delegacia quando decidiu internar compulsoriamente o filho em uma clínica de reabilitação no Rio de Janeiro. Devido ao estado de Alejandro, ele viajou acompanhado de dois policias militares.

Questionada do motivo de não ter acionado Elizeu para ir com Alejandro, a arquiteta disse que não “passou pela cabeça”. E que ao saber que Elizeu havia levado Flávio da casa não entrou em contato com o PM mesmo sem entender a atitude dele já que a função do mesmo era proteger seu filho.

O interessante de tudo é que em nenhum momento foi citada a ideia de chamar a polícia. As autoridades só souberam do ocorrido após acharem o corpo de Flávio.

Elisabeth ainda citou em entrevista que acredita que a pressão em cima do caso seja por conta de politicagem, para prejudicar o seu marido, ignorando a dor eterna dos familiares do engenheiro. As investigações continuam.

Veja depoimento completo de Elisabeth Valeiko clicando AQUI