Funcionários da Apple escutam gravações de usuários da Siri para melhorar os recursos da assistente pessoal. O jornal The Guardian revelou que a empresa de Tim Cook contrata agências ao redor do mundo para escutar cerca de 1% dos áudios que os dispositivos da marca gravam na nuvem.

Segundo um funcionário da Apple, já ocorreram casos de escuta de conversas privadas – incluindo entre médicos e pacientes, o que infringe a confidencialidade de consultas –, reuniões de negócios, negociações suspeitas com clara alusão à venda de drogas e até relações sexuais. Um dos intuitos da empresa é verificar momentos em que a ativação da Siri foi feita de forma acidental ou incorreta, o que acontece “mais do que ocasionalmente”, segundo a fonte da reportagem.

Embora as gravações não sejam associadas diretamente a um usuário, elas vêm acompanhadas de geolocalização e outros dados recolhidos por aplicativos. “Não é como se as pessoas estivessem sendo incentivadas a considerar a privacidade das pessoas”, afirma a fonte anônima do The Guardian. “Se houvesse alguém com intenções nefastas, não seria difícil identificar quem é o usuário por trás da gravação”.


Todos estão ouvindo

Não é apenas a Apple que escuta gravações de assistentes pessoais. A Amazon e o Google também têm funcionários ouvindo o que os usuários dizem, com o pretexto de melhorar as funcionalidades da Alexa e do Google Assistant, respectivamente.

Embora afirmem que continuam preocupadas com a privacidade de seus usuários, as três empresas só confirmaram que têm funcionários escutando gravações depois que alguns desses empregados conversaram anonimamente com a imprensa. No caso do Google, por exemplo, houve inclusive vazamento de dados de conversas na Holanda.

“Na Apple, acreditamos que a privacidade é um direito fundamental”, disse Tim Cook durante evento sobre privacidade em 2018. No entanto, entre os três assistentes virtuais citados, ele é o único que não tem mecanismos para que o usuário peça para que suas gravações não sejam usadas para outros fins, segundo o The Guardian