A procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) hoje, dia 1º, denúncia contra o senador Eduardo Braga, do MDB, e a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), ambos do Amazonas, por crime eleitoral.

Braga e Vanessa são acusados de prestar falsa declaração à Justiça Eleitoral de R$ 2,35 milhões recebidos da empreiteira Odebrecht, via empresa Praiamar, nas eleições municipais de 2012.

Naquele pleito, Vanessa disputou a Prefeitura de Manaus e foi apoiada por Eduardo Braga. Ela acabou derrotada por Arthur Virgílio Neto (PSDB).

De acordo com a denúncia que agora está nas mãos do relator da operação Lava Jato no STF, o senador Eduardo Braga exerceu forte influência sobre a candidata Vanessa, daí a Odebrecht ter destinado às suas mãos, via diretório, esse dinheiro.


O ministro Edson Fachin, o relator da Lava Jato no STF, vai ver que o senador Eduardo Braga “assumiu um papel de extrema relevância para a consumação do delito em questão pois era […] pessoa com forte proximidade com o GRUPO ODEBRECHT”, escreveu a PGR.

Braga e Odebrecht, tudo a ver desde 2003
Raquel Dodge diz mais sobre o senador do MDB do Amazonas, já investigado por outra denúncia na Lava Jato no STF:

“O relacionamento do Senador EDUARDO BRAGA com a ODEBRECHT remonta à época em que exerceu o cargo de Governador do Estado do Amazonas (2003 a 2010)”.

Braga é investigado no STF, no inquérito 4.429, por recebimento de propina de outra obra no estado enquanto era governador.

“Ela” confirma tudo
Em depoimento, Vanessa confirmou que se beneficiou de toda a estrutura de campanha em 2012, incluídos aí os recursos da Odebrecht, montada inicialmente para a candidata de Braga, a ex-deputada federal Rebecca Garcia (PP), que foi sacada da disputa pelo cacique do MDB.

De acordo com as investigações iniciais, constantes do inquérito de denúncia, é Braga que apresenta Vanessa aos integrantes do escritório de propina da Odebrecht.

A Odebrecht usou esse artifício de “caixa 3” para esconder doações de campanha que eram feitas a políticos em nome de outras empresas.

Falsa declaração
Segundo a denúncia no inquérito 4.418 da PGR, embora conste na declaração enviada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) que a Praiamar efetuou doações de R$ 700 mil à campanha de Vanessa e de R$ 1,650 milhão ao diretório local do PMDB (atual MDB) em Manaus, do qual Braga era presidente, esses recursos saíram das contas da Odebrecht, uma das principais investigadas na operação Lava Jato.

Para Raquel Dodge, as doações “foram feitas pela empresa Praiamar com o objetivo de dissimular a real origem dos valores advindos da Odebrecht”.

Outros investigados
Também são acusados Roberto Luiz Ramos Fontes Lopes, Walter Faria, Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis e Eduardo José Mortani Barbosa.

A PGR pede ao Supremo que Braga e Vanessa, tratada pelo codinome “Ela” nas planilhas de propina do escritório da Odebrecht, paguem indenização por dano moral do mesmo valor recebido em 2012.

Em termo de colaboração premiada, Fernando Ayres Reis relatou um encontro com a senadora, ocorrido em Manaus, em agosto de 2012, no qual ficou acertado o repasse de R$ 1,5 milhão pela construtora.

Ao retornar para o Rio de Janeiro, Ayres Reis entrou em contato com Eduardo Barbosa, diretor da Odebrecht Ambiental, e o autorizou a contatar o setor de operações estruturadas da construtora para a liberação do valor destinado a Vanessa, que não se reelegeu em 2018 e está fora do Senado a partir de hoje.

A transação, intermediada por Walter Faria, empresário do grupo Petrópolis, foi registrada no sistema Drousys, que contabilizava o pagamento de propina da Odebrecht a políticos, entre eles Vanessa e o MDB de Braga.

Íntegra da denúncia no Inquérito 4.418

Fonte: BNC