O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) ingressou com um pedido, nesta terça-feira (28), para que a comissão que analisa o impeachment do governador Wilson Lima (PSC), e do vice, Carlos Almeida (PTB), retire de sua composição deputados suspeitos de receberem propina. Os nomes dos parlamentares apareceram em uma lista, apreendida pela Polícia Federal (PF) no gabinete de Lima, durante a operação Sangria.

A lista apreendida pela PF consta o nome de oito deputados, ao lado de uma anotação: ‘5%’. As investigações apuram supostas fraudes e desvios de dinheiro na compra de respiradores para atender casos de Covid-19 no estado, que já registra mais de 3,2 mil mortes pela doença, até esta segunda-feira (27).

O presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Vianna, foi quem apresentou o pedido de impeachment na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em abril deste ano, acusando os governantes de crime de responsabilidade. Nesta terça, o sindicato usou um instrumento que faz parte do regime interno da Aleam, a ‘Questão de Ordem’.

No documento, o sindicato solicita que os oito deputados que constam na lista apreendida pela PF sejam retirados da comissão especial de impeachment e que uma nova eleição de membros seja feita. Uma segunda eleição para a comissão já havia sido realizada, após a primeira ter sido anulada por incompatibilidade no número de membros.

Os deputados citados na lista com ‘5%’ e citados pelo Simeam são: Joana Darc (PL), Roberto Cidade (PV), Carlinhos Bessa (PV), Mayara Pinheiro (PP), Therezinha Ruiz (PSDB), Saullo Vianna (PTB), Abdala Fraxe (Podemos) e Belarmino Lins (PP). O valor de ‘5%’ seria um forte indício do recebimento de propina, segundo afirma o documento.

Ainda no pedido, o sindicato destaca que caso a comissão siga sem a reparação da suposta falha, irá violar a lei. “Não é razoável crer na lisura de um processo contaminado por interesses espúrios das autoridades envolvidas em ditos escândalos”, explica trecho da Questão de Ordem.

A presidente da comissão, deputada Alessandra Campelo (MDB), declarou que o pedido faz ‘acusações infundadas’ contra membros da comissão e deve ser desconsiderado. Porém, segundo a deputada, o pedido foi encaminhado à procuradoria da Aleam, por uma questão de prevenção, para dar um parecer com embasamento jurídico.

“Quero ressaltar que, conforme conversei com colegas deputados, vários deles já vão acionar juridicamente o sindicato pra responder pelas ofensas, calúnia, injúri, difamação e acusações infundadas contra os parlamentares”, disse Campelo.