Manaus – Estudantes, professores e pais de alunos dos colégios militares da Polícia Militar do Amazonas (CMPM-AM) estiveram hoje (sexta-feira-27) na Assembleia Legislativa e confirmaram as graves denúncias de assédios sexual e moral e de agressões físicas cometidos por gestores dos colégios militares.

Na audiência pública solicitada pelo deputado estadual Fausto Jr, vários professores e mães de alunos deram detalhes sobre as tentativas de estupro, assédio sexual e agressões praticadas por gestores em cinco dos nove CMPMs existentes no Amazonas.

O deputado Fausto Jr. disse que existem mais de 20 denúncias formalizadas junto ao comando da Polícia Militar e à secretaria de Educação do Amazonas (Seduc), relatando irregularidades nos CMPMs.

“Foram apresentadas mais de 20 denúncias sem que ninguém fosse investigado ou punido. Agressores e vítimas continuam lado a lado no colégio, num ambiente psicologicamente nocivo aos estudantes”, denunciou Fausto Jr.

A falta de investigação motivou que outros casos de assédio ocorressem, inclusive se alastrando para outros colégios da PM. “A situação ficou insustentável, por isso realizamos a audiência pública onde as vítimas podem cobrar providências das autoridades”, acrescentou Fausto.

Participaram da audiência pública os representantes da Seduc, do comando da Polícia Militar, Ministério Público, Delegacia de Proteção à Infância e Adolescência, Câmara Municipal de Manaus e da comissão de Educação da Assembleia Legislativa.

COORDENADA 1:

“Minha filha foi convidada para encontro

sexual com diretor”, diz mãe de aluna

A mãe de aluna, Cláudia Silva (nome fictício), disse que a filha foi assediada sexualmente em troca de melhores notas escolares. “Minha filha é menor de idade e foi convidada pelo gestor do colégio para um encontro sexual. Em troca ela teria as notas melhoradas no boletim”, denunciou.

Outra mãe, Maria Silva (nome fictício), relatou que foi convidada pelo diretor do colégio para um encontro sexual, em troca da aprovação do filho no ano letivo. “Ele (diretor) disse que meu filho só passaria de ano se eu aceitasse ir para o motel”, denunciou a mãe. “Eu disse pra ele que iria denunciar o caso na Seduc. Ele me disse que a denúncia não daria em nada e que meu filho seria reprovado”, acrescentou.

Após receber todos os documentos com as denúncias já encaminhadas à Seduc e ao comando da Policia Militar, o deputado Fausto Jr. afirmou que vai lutar para que todos os casos sejam investigados e os agressores sejam punidos. “Vamos investigar todos os casos de assédio nas escolas. O Ministério Público e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente vão entrar na investigação”, garantiu Fausto.

A presidente da comissão de Educação da Aleam, deputada Therezinha Ruiz, destacou que as denúncias são graves e que os estudantes devem ser ouvidos pelas autoridades que investigam o caso.

“Os estudantes estão pedindo socorro há tempos, porém ninguém ouvia. Agora será diferente! Vamos trabalhar para que os casos sejam investigados e os agressores afastados dos colégios e do serviço público”, prometeu Therezinha.

COORDENADA 2

Audiência pública apresenta resultados

Ao final da audiência pública, o coronel da Polícia Militar, Roberto de Oliveira Araújo, que comanda o Núcleo de Ensino da PM, garantiu que haverá mudanças no comando de todos os colégios da Policia Militar.

A comissão de Educação da Aleam se comprometeu em realizar visitas em todas as escolas públicas de Manaus para conversar com estudantes e professores e averiguar denúncias de assédio e agressões.

A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente cofirmou que vai instaurar inquérito para investigar as denúncias feitas por alunos e professores sobre as irregularidades ocorridas nos CMPMs.