Manaus – Nos últimos dias, o apresentador do programa Amazonas Alerta exibido pela TV A Crítica, Sikera Júnior, divulgou um vídeo nas redes sociais, anunciando que a emissora na qual trabalha está contratando profissionais de imprensa, mas destacou um ponto bem importante: o candidato não pode escrever “contra o avanço do Brasil”, nem ser simpatizante da esquerda. 

“Enquanto as empresas fecham as portas, demitem, a nossa contrata, graças a Deus. Estamos precisando de repórter, câmera man, redator, locutor, mas tem um detalhe: A gente vai tirar quem tá atrapalhando, quem escreve contra o país, quem só quer atrapalhar o processo, torcer contra. A maioria nas redações dos jornais e da televisão tem os contra, os que não querem ver nada funcionar. Vai começar uma renovação, graças a Deus”, disse Sikera Júnior.

Em ‘defesa’ da classe, a presidente do sindicato dos jornalistas do Amazonas, Dora Tupinambá usou a página oficial do sindicato no Facebook para emitir uma nota, reprimindo totalmente a fala do apresentador. Em um dos trechos da nota ela diz: “O compromisso do jornalismo é com a verdade e, por isso, ele é um dos pilares de qualquer sociedade democrática. Nesse sentido, o papel da imprensa, é levar informação às pessoas. Expor fatos e não comprar versões partidárias, seja ela de esquerda ou de direita, e, muito menos expor suas crenças pessoais.”

A hipocrisia da presidente reflete em publicações feitas por ela em seu instagram pessoal, fazendo sérios ataques contra o presidente Jair Bolsonaro, e enaltecendo a vereadora do PSOL eleita no Estado do Rio de Janeiro, Marielle Franco, que nunca moveu uma pedra pelo Amazonas.

No seu instagram pessoal, Dora Tupinambá publicou fotos com temas “Mulher não vota em Bolsonaro” e com a hashtag “#elenão”. A presidente do sindicato também fez uma publicação exclusiva para a vereadora do PSOL Marielle Franco, morta em 2018.

“Jornalistas têm outra responsabilidade e outro compromisso, independente do credo religioso e da sua posição ideológica. É direito constitucional. O compromisso do jornalismo é com a verdade e, por isso, ele é um dos pilares de qualquer sociedade democrática. Nesse sentido, o papel da imprensa, é levar informação às pessoas.”

Dora Tupinambá está com sua carreira em declínio, e não suporta ver o sucesso de novos Blogs e Portais de Notícia no Amazonas.  

Confira a nota emitida por Dora Tupinambá na íntegra

NOTA DE REPÚDIO

SINDICATO DOS JORNALISTAS REPUDIA PROPOSTA DE FILTRO IDEOLÓGICO PARA CONTRATAR JORNALISTA

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJP-AM) vem a público REPUDIAR as declarações feitas pelo apresentador José Siqueira Barros Junior (Sikêra Júnior), da TV A CRÍTICA, veiculada em suas mídias digitais no último fim de semana, por meio de vídeo, quando tenta desqualificar os profissionais de jornalismo. A fala do apresentador de TV agride a função social e a ética do Jornalismo e os jornalistas; tenta enquadrá-los em uma percepção reducionista e deformada do que é o exercício jornalístico ao afirmar que na maioria das redações dos jornais e das TVs tem aqueles que “escrevem contra o País” e “que só querem atrapalhar”.

Mais do que isso, propõe a forma mais primária de manipulação da informação, que é tudo o que Jornalismo não é: colocar pessoas favoráveis a uma ideologia para trabalharem, supostamente, em favor dela.

As críticas dirigidas a outras emissoras na fala deste senhor também insinua que os jornalistas que estão hoje nas redações não são sérios; até mesmo os da emissora em que trabalha, uma vez que cita o termo “toda empresa tem um cara que cria problema”.

O SJPAM defende não apenas o registro profissional como também o DIPLOMA de jornalismo como critério imprescindível ao exercício profissional. E embora ao longo dos anos os profissionais que atuaram – e alguns que ainda atuam – na emissora que ele trabalha, tenham formação acadêmica, não eram registrados como tal na carteira de trabalho, contribuindo desta forma para a precarização da profissão.

A fala do apresentador enuncia ainda a postura autoritária com a qual pretende se estabelecer e fazer escola no Estado do Amazonas e na cidade de Manaus. Na condição de radialista e jornalista, desrespeita seus próprios colegas de profissão. A ideia de que “o Brasil vai começar a mudar” a partir desse tipo de guardiões não é nova, outros com a mesma postura de xerife já desfilaram na história do Jornalismo no Brasil e no Amazonas. Descobriram da pior maneira que a sociedade não aceita o xerifado, venha de onde vier, e os jornalistas, em diferentes frentes de batalha, reposicionaram o exercício legal, legítimo e responsável da profissão.

É lamentável e perigoso que no século XXI, pessoas que atuam na área da comunicação ainda se refiram a jornalistas esquerdistas nas redações de jornais e TVs. Mais que uma leitura atrasada, esta é a expressão da hipocrisia e da subserviência como arranjos da prática da dissimulação regiamente paga com recursos públicos para assegurar a escrita jornalística a favor ou a voz única da verdade. Sikêra Junior revela-se adesista da “renovação” jornalística que não aceita mudança nem ruptura na realidade do Brasil e do Amazonas, no entanto, beneficia-se com ela.

Jornalistas têm outra responsabilidade e outro compromisso, independente do credo religioso e da sua posição ideológica. É direito constitucional. O compromisso do jornalismo é com a verdade e, por isso, ele é um dos pilares de qualquer sociedade democrática. Nesse sentido, o papel da imprensa, é levar informação às pessoas. Expor fatos e não comprar versões partidárias, seja ela de esquerda ou de direita, e, muito menos expor suas crenças pessoais.

O jornalismo e o jornalista, no fazer jornalístico, não podem ser guiados por ideologia, senão, fogem ao seu real propósito. “O papel do jornalista é investigar. O dos políticos, é prestar contas”, disse Martin Baron, editor do Washington Post que chefiou, em 2002, a equipe do jornal Boston Globe que investigou abusos sexuais cometidos por clérigos da Igreja Católica. O caso deu origem a “Spotlight”, que ganhou o Oscar de melhor filme em 2016.

“O governo é a instituição mais poderosa que existe em qualquer país. E nosso dever é fazer as instituições poderosas prestarem contas à sociedade”, escreveu. E isto é tudo o que esse senhor apresentador não defende. Com que interesses?

O Brasil e o Amazonas continuarão a mudar como parte do processo histórico e, neste, o jornalismo tem função relevante para revelar os cenários, os parasitas, os fascistas e aproveitadores ocasionais. Eles passarão! Lutemos, jornalistas!

Manaus- AM, 02 de março de 2020

DIRETORIA
SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DO AMAZONAS – SJPAM