Manaus – Do fim da década de 1990 ao início dos anos 2000, a maioria dos televisores de Manaus (AM) estavam sintonizados, na hora do almoço, no programa Canal Livre, da TV Rio Negro. A atração, que exibia crimes cometidos na região, era comandada por Wallace Souza, que afirmava estar a serviço da população e era considerado um herói por parte dos moradores da periferia da cidade.

Com frases como “Manaus não pode virar uma terra sem dono”, Wallace expressava revolta a cada crime exibido no programa. Na atração, que liderava a audiência, era comum ver corpos de pessoas assassinadas, registrados muitas vezes pela equipe de reportagem antes da chegada das autoridades policiais.

Wallace era ex-policial civil, expulso da corporação por suspeita de desvio de gasolina – acusação que negava. Fora da polícia, tornou-se repórter e criou, nos anos 1990, o próprio programa policialesco. A atração começou de modo precário, mas com o sucesso de audiência, logo atraiu patrocinadores e conseguiu melhorar sua estrutura.

Na onda do mote de herói dos pobres e do sucesso na televisão, Wallace entrou para a política. O apresentador foi eleito deputado estadual três vezes – 1998, 2002 e 2006 -, sempre com votações expressivas. Ele chegou a ser, proporcionalmente, o parlamentar mais votado do Brasil. Nas campanhas eleitorais, afirmava que seu objetivo principal era reduzir a criminalidade em Manaus.

Mas o último mandato do apresentador não foi concluído. Em 2009, ele foi cassado sob a acusação de liderar uma organização criminosa. Conforme as investigações, parte dos crimes exibidos no Canal Livre teriam sido encomendados pelo grupo dele, na busca por audiência e para prejudicar criminosos adversários da quadrilha que o parlamentar foi acusado de liderar.

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