Manaus – Parte do grupo de presos transferidos nesta semana para unidades de segurança máxima fora do Amazonas teve ligação com o massacre ocorrido em 2017 e já havia saído do Estado para presídios federais anteriormente. A informação consta da decisão que autorizou a ida dos custodiados para fora do Estado após o massacre de 55 detentos em quatro cadeias de Manaus no início da semana.

Segundo o documento, Adailton Farias da Silva, José Bruno de Souza Pereira, Danilo Oliveira Duarte, João Ricardo Santos da Costa, Rivelino de Melo Muller, Jane da Silva Santos, Janes do Nascimento Cruz e Demétrio Antonio Matias já haviam sido transferidos anteriormente. Eles têm envolvimento com uma facção criminosa que atua em cadeias do Estado.

O oitavo, de Danilo Oliveira Duarte, aparece no documento da Vara de Execuções Penais (VEP).

A ida do grupo para presídios federais ocorreu após o massacre de mais de 60 presos em 2017, considerada a maior matança do sistema carcerário do Estado. A participação deles no ocorrido há dois anos e meio foi determinante para as transferências.

No entanto, eles retornaram ao sistema penitenciário do Amazonas em 2018. O documento é assinado pelos juízes Rômulo Garcia Barros Garcia e Ronnie Frank Torres Stones.

De acordo com a VEP, o prazo máximo para um detento permanecer preso em uma unidade prisional em outro estado é de até 360 dias. Após o prazo máximo, ele deve retornar a sua comarca de origem. Apenas em casos excepcionais o prazo pode ser superior a 1 ano. Desta forma, os três detentos tiveram que ser devolvidos para os presídios do Amazonas.

João Ricardo Santos da Costa foi encaminhado pela Justiça para presídio federal em 11 de janeiro de 2017 e o retorno ocorreu em janeiro de 2018. Já Demétrio Antonio Matias foi encaminhado em 19 de dezembro de 2017 e retornou no final de 2018. Quanto ao detento Danilo Oliveira Duarte não há informações da data em que ele foi transferido para presídio federal e quando retornou para seguir o cumprimento de pena no Amazonas.

Além dos 17 presos transferidos na quinta, 9 já haviam deixado Manaus no começo da semana. Segundo o governo, eles teriam tido participação na chacina deste ano. No entanto, o Ministério Público do Amazonas afirma que eles não são os mandantes dos crimes.

Novo massacre
A maioria das vítimas do massacre nos presídios desta semana morreu de asfixia ou golpeada por objeto perfurante. O massacre é o segundo ocorrido no Amazonas em menos de 3 anos.

Em 2017, os presídios de Manaus já tinham sido palco do maior massacre do sistema penitenciário do estado. Naquela época, membros da Família do Norte (FDN) atacaram presos do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante uma rebelião que durou 17 horas.