Chefe da FDN que comandou o massacre do Compaj, 'Mano Gê' volta para 'solitária' em presídio federal

Manaus – Gelson Lima Carnaúba, conhecido como ‘Mano Gê’, um dos chefões da facção criminosa Família do Norte (FDN), voltará a cumprir o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), no presídio federal de Catanduvas (PR). A decisão foi tomada por desembargadores da 7ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

As informações são de que Mano Gê foi quem ordenou o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), ocorrido em 1º de janeiro deste ano, de dentro da penitenciária federal, através de familiares que o visitavam.

Considerado a mais dura situação de encarceramento, o RDD é uma sanção aplicada ao preso que comete faltas graves dentro do sistema penitenciário. “Quando um preso entra neste regime em um presídio federal, ele vai para um setor separado das demais vivências. Nesse setor, ele não tem banho de sol coletivo, ou seja, ele tem banho de sol, mas em um anexo da própria cela”, diz um agente penitenciário federal.

“A lei prevê que o preso em RDD fique isolado de outros presos, como se estivesse mesmo em uma espécie de solitária, mas com apoio psicológico. O objetivo é que ele não se comunique com os outros presos”, afirma o criminalista Daniel Bialski. “Porém, algumas prisões não conseguem manter o detento em total isolamento.”

assacre em Manaus
A FDN foi apontada como responsável por um dos maiores massacres do sistema penitenciário do Brasil, ocorrido em unidades prisionais de Manaus e que resultou na morte de dezenas de presos, na primeira semana de janeiro. Aliada ao Comando Vermelho, a facção amazonense é inimiga declarada do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Carnaúba, ou Mano Gê, havia sido colocado no RDD de Catanduvas (PR), 20 dias após o massacre de Manaus. Posteriormente, sua defesa conseguiu um habeas corpus que o retirou dessa situação. As advogadas do detento pleitearam que a mesma decisão fosse concedida a outros integrantes da FDN, que também estão no RDD da prisão federal.

Porém, o mesmo desembargador que havia concedido o habeas corpus, Márcio Antonio Rocha, mudou seu posicionamento ao analisar as informações concedidas pelo Ministério Público Federal.

Defesa vai recorrer

A defesa de Carnaúba afirma que vai recorrer da decisão. “A defesa vai recorrer para que a lei seja igual para todos”, afirmaram, em nota, as advogadas do criminoso. “Pois o juiz corregedor de Mossoró (RN) tirou alguns detentos de Manaus do RDD, portanto não é justo que os presos de Catanduvas permaneçam, já que foram inclusos na mesma decisão e pelos mesmos fatos e fundamentos.”

Com informações da Uol

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