Mundo – Nova York, que foi a primeira grande cidade dos Estados Unidos a reabrir as escolas depois do confinamento do primeiro semestre, voltará a fechá-las a partir desta quinta-feira após apenas oito semanas de aulas presenciais, por ter atingido 3% de resultados positivos no total de exames de coronavírus realizados nos últimos sete dias (na Espanha, para efeito de comparação, a taxa foi de 12,2% entre 11 e 14 de novembro). A decisão foi comunicada pelo prefeito da cidade, o democrata Bill de Blasio.

A rede nova-iorquina de escolas públicas é a maior do país. Em princípio, os colégios privados não serão afetados pelo anúncio, e alguns já comunicaram que manterão suas atividades com todas as medidas de segurança.

“Nova York alcançou o limite de 3% de positividade nos últimos sete dias. Infelizmente, isso significa que as escolas públicas devem fechar a partir de amanhã, quinta-feira, 19 de novembro, como medida de precaução. Devemos combater a segunda onda da covid-19”, tuitou o prefeito após se fazer esperar por três horas e meia para a sua entrevista coletiva diária, afinal cancelada. De acordo com o protocolo adotado pelo Governo municipal, os 3% de exames positivos são o limite a partir do qual há um recuo na normalização da atividade educacional, e desde a semana passada já se falava em um fechamento total caso isso ocorresse.

“Os pais deveriam ter um plano para o resto do mês de novembro”, alertou De Blasio na ocasião.

O fechamento é o maior retrocesso da cidade desde o início da gradual reabertura do começo deste semestre, e um revés muito concreto para De Blasio, que tinha defendido com ardor a volta às aulas. O governador do Estado de Nova York, o também democrata Andrew Cuomo, também apoia que as escolas permaneçam abertas. As métricas usadas pela cidade e pelo Estado diferem, por isso para este último a taxa média de positividade na última semana deve ficar abaixo de 3%.

Aproximadamente 300.000 estudantes que seguiam um programa híbrido de aulas presenciais e virtuais voltarão a estudar remotamente, de suas casas, com a dificuldade que isso acarreta para pais ou responsáveis. O fechamento foi decretado como uma medida suplementar de precaução, já que a taxa de transmissão do coronavírus em escolas se manteve muito baixa desde o final de setembro, quando as salas de aula foram reabertas. Na verdade, os epidemiologistas não consideram que o contágio nas escolas seja determinante para o aumento dos casos na cidade, e sim as reuniões sociais e a normalizada afluência a bares, restaurantes e academias, que no entanto permanecem abertos, embora com limitações de horário e lotação desde sexta-feira passada.

O diretor do sistema de ensino público nova-iorquino, Richard A. Carranza, informou pelo Twitter que as classes continuarão “de forma remota até segundo aviso” e que os alunos que compareciam numa parte da semana aos centros educacionais “deverão fazer uma transição”. “O prefeito e eu temos claro, desde o primeiro dia, que precisávamos devolver os alunos às salas de aula assim que fosse seguro. Essa mesma urgência respalda este fechamento temporário: traremos os alunos às salas assim que pudermos, de maneira segura”, comunicou o secretário de Educação local, salientando que a cidade oferecerá às famílias “apoio com os dispositivos [eletrônicos] e instruções sobre ensino remoto”, além de refeições gratuitas para os alunos carentes.

Nova York tem a maior rede de escolas dos EUA, com 1.800 estabelecimentos e 1,1 milhão de alunos. O sistema público atrai fundamentalmente crianças de famílias latinas e afro-americanas, que são justamente os coletivos mais golpeados pela pandemia e os que mais problemas materiais podem ter para passar à educação on-line, por falta de recursos informáticos.