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Pessimismo no exterior e ação do BC levam dólar a R$ 3,34

Da redação | 06/07/2016 13:20

RIO e SÃO PAULO – Pelo quarto dia consecutivo, o dólar comercial se valoriza frente ao real. A moeda americana está sendo negociada a R$ 3,32 na venda, uma valorização de 0,69%. Mas na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 3,34. Na mínima, foi negociada a R$ 3,31. O dólar reage a mais uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio e se valoriza aqui e no exterior em meio à aversão a ativos de risco no exterior.

— Hoje o dólar reage ao pessimismo do exterior e, claro, a mais uma intervenção do Banco Central, que sinaliza que quer o dólar num patamar acima de R$ 3,20 — diz Marcos Trabbold, operador de câmbio da corretora B&T.

Pelo quarto dia consecutivo, o BC realizou um leilão de contratos de swap cambial reverso, operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos os 10 mil contratos oferecidos, totalizando US$ 500 milhões. Em quatro dias, as operações do BC somaram US$ 2 bilhões e com isso o BC vai reduzindo seu estoque de contratos de swap tradicionais, que foram utilizados para evitar uma valorização excessiva do dólar. O estoque destes contratos chega a US$ 60 bilhões.

“Ao aceitar a totalidade das propostas apresentadas pelo mercado, a autoridade monetária sinalizou seu desejo pela manutenção do preço da moeda americana no patamar de R$ 3,30 ou acima desse nível”, escreve em relatório divulgado nesta manhã, Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Para Trabbold, o mercado já percebeu uma mudança de estratégia do BC, que desde sexta-feira passada voltou a intervir no mercado de câmbio. O objetivo é evitar uma desvalorização excessiva da moeda americana, o que prejudicaria o desempenho de nossas exportações.

No cenário doméstico, há expectativa do mercado em relação ao anúncio do déficit fiscal esperado para 2017. A estimativa é que ele será um pouco menor que os R$ 170 bilhões deste ano, mas ainda elevado, o que deixa investidores na defensiva. A líder do governo, Rose de Freitas, confirmou que o número pode ficar entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões.

No exterior, o dollar spot, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, se valoriza 0,08%.

BOLSAS EM QUEDA

Na Europa, as Bolsas operam em forte queda. Londres cai 1,25%; Paris recua 1,88% e Frankfurt tem desvalorização de 1,67%. O Eurostoxx 50, que reúne as ações mais negociadas na Europa, perde 1,85%. De acordo com relatório da Guide Investimentos, o clima de aversão a ativos de risco lá fora é resultado dos desdobramentos imprevisíveis do Brexit, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Há desconfiança da saúde de alguns bancos europeus, especialmente os italianos. O Banco da Inglaterra decidiu reduzir as exigências de capital bancário.

Além disso, diz a equipe de análise da Guide, existe a expectativa de queda de preço nos imóveis no Reino Unido, o que tem levado a saques de fundos imobiliários. Três grandes fundos já suspenderam os saques.

“Nesse cenário de incertezas, as Bolsas vão operando em queda e o dólar se valoriza frente a moeda de emergentes”, diz a Guide em seu texto.

O mercado também aguarda a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, que decidiu pela manutenção dos juros. Os investidores procuram por sinais da autoridade monetária americana de quando as taxas poderão subir. A expectativa do mercado é que isso só ocorra em dezembro.

Nos Estados Unidos, os principais índices estão sem direçaõ definida: o Dow Jones sobe 0,02%; 0 Nasdaq tem alta de 0,27% w o S&P 500 recua 0,03%.

BOVESPA CAI COM EXTERIOR

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os investidores acompanham o mau humor do exterior e o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, se desvaloriza puxados pelas ações da Vale, Petrobras e bancos. A queda é de 1,1% aos 51.270 pontos e volume negociado de R4 2,3 bilhões.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Vale PNA cai 1% a R$ 12,78, refletindo a desvalorização no preço das commodities. Petrobras PN perde 0,64% a R$ 9,23 com recuo na cotação internacional do petróleo. As ações de bancos reagem ao clima de desconfiança em relação a algumas instituições financeiras da Europa. Itaú Unibanco PN perde 1,14% a R$ 30,33 e Bradesco PN cai 1,01% a R$ 25,45.

Na Ásia, os mercados chineses apresentaram leve alta em contraste com as demais Bolsas da região.

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