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Gerdau também é alvo de ação coletiva nos EUA por causa da Zelotes

Da redação | 07/06/2016 13:40

RIO – Alvo de ações coletivas nos EUA na segunda-feira, o Bradesco não é a única companhia a ser processada por investidores americanos que alegam ter sofrido perdas com o escândalo de corrupção revelado pela Operação Zelotes, da Polícia Federal. A Gerdau e seus executivos também estão sendo processados em uma ação coletiva, segundo queixa submetida ao tribunal do Distrito Sul de Nova York.

O advogado responsável pelo processo, Jeremy A. Lieberman, do escritório Pomerantz, é o mesmo que atua na ação coletiva consolidada nos EUA contra a Petrobras.

O processo foi aberto por dois investidores individuais, Donald e Mary Boland, que alegam ter sofrido perdas em seus investimentos em recibos de ação da Gerdau (American depositary receipts, ou ADR) negociados na Bolsa de Nova York após a revelação do escândalo de fraude da Zelotes. A Gerdau está sendo acusada de ter tentado sonegar cerca de R$ 1,5 bilhão por meio de um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. No mês passado, a Polícia Federal (PF) indiciou o empresário André Gerdau Johannpeter, diretor-executivo do Grupo Gerdau, e mais 18 pessoas investigadas em inquérito da Operação Zelotes.

“No período coberto por esta ação, os acusados fizeram declarações falsas ou enganosas, assim como omitiram fatos adversos importantes sobre os negócios, as operações e os prospectos da companhia. Especificamente, os acusados (…) não informaram que: a empresa estava envolvida em um esquema de pagamento de propiona no Carf; que a Gerdau sonegou cerca de US$ 429 milhões em impostos; e que o diretor-executivo da Gerdau, André Bier Gerdau Johannpeter, e outros diretores e funcionários da companhia estavam envolvidos com corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência”, afirma a queixa apresentada à Justiça.

Além da própria Gerdau e de André Bier Gerdau Johannpeter, são também acusados no processo Harley Scardoelli (diretor de relações com investidores) e os ex-diretores financeiros André pires de Oliveira Dias e Osvaldo Burgos Schirmer.

O processo abrange o período entre 2 de junho de 2011 — quando a Gerdau publicou o formulário de referência 20-F de 2010 na Securities and Exchange Commision (SEC, órgão regulador do mercado nos EUA) — e 15 de maio de 2016.

Mas os investidores Donald e Mary Boland, que iniciaram a ação, adquiriram suas ADRs entre 15 de abril e 11 de maio de 2016. Embora a empresa e seus executivos ainda não tivessem sido indiciados pela PF na época, várias informações sobre a participação da Gerdau na corrupção investigada pela Zelotes já haviam sido publicadas pela imprensa.

A queixa foi apresentada à Corte de Nova York em 26 de maio.

O GLOBO entrou em contato com a assessoria de imprensa da Gerdau no começo da tarde desta terça-feira, mas ainda aguarda posicionamento da companhia sobre o caso.

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