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Dólar cai pelo 3º dia e encerra pregão valendo R$ 3,21

Da redação | 30/06/2016 18:40

RIO e SÃO PAULO – O dólar comercial registrou sua terceira queda consecutiva nesta quinta-feira e a maior desvalorização percentual em um mês, desde abril de 2003. No pregão desta quinta, a divisa apresentou desvalorização de 0,74%, cotada a R$ 3,21 na venda, o menor nível desde 21 de julho do ano passado, quando fechou negociado a R$ 3,174. Na mínima da sessão, a divisa chegou a valer R$ 3,186, queda de ,16%, enquanto na máxima subiu a R$ 3,247. Na semana, a divisa perdeu 4,7% e no mês recuou 11,07% no câmbio comercial, a maior desvalorização percentual desde abril de 2003, quando o recuo foi de 13%, segundo levantamento feito pela corretora H. Commcor. No ano, a queda do dólar frente ao real é de 18,6%.

No final do dia, o Banco Central anunciou um leilão de swap reverso no toal de dez mil contratos que somam US$ 500 milhões. Este tipo de intervenção no mercado serve para evitar uma queda acentuada da moeda.

Segundo o operador de câmbio Cleber Alessie, da H. Commcor, o BC aproveita para reduzir sua posição em contratos de swap tradicional, que é de US$ 62,1 bilhões, mas também sinaliza ao mercado que está vigilante em relação a uma depreciação muito acentuada do real.

– É um leilão pequeno, que ajuda a aliviar sua posição em swap tradicional, mas também um sinal de que o BC está vigilante em relação a uma desvalorização muito acentuada do dólar frente ao real – diz Alessie.

No mercado externo, o dollar spot, que acompanha o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, teve elevação de 0,17%. O dólar turismo recuou com mais força, fechando com desvalorização de 2,04% a R$ 3,35.

— Tivemos hoje um dia atípico em relação ao dólar, já que neste último dia do mês houve a formação da Ptax (taxa média) para a liquidação de contratos de câmbio futuro. Pela manhã, os ‘vendidos’ puxaram a cotação para baixo para terem uma liquidação mais favorável. A PTax fechou em R$ 3,20, o dólar voltou a subir um pouco, mas entraram os exportadores vendendo e a moeda voltou a recuar. Além disso, tivemos um cenário externo tranquilo hoje e um ambiente político doméstico menos hostil, que mantém um viés de baixa para a moeda americana frentre ao real – diz Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Segundo ele, o ‘novo’ Banco Central, presidido agora pelo economista Ilan Golfajn, já sinalizou que o câmbio é livre. O mercado interpretou a declaração como uma sinalização de que não há piso para o dólar.

— O BC antigo tinha como objetivo manter ‘com unhas e dentes’ um piso de R$ 3,50 para o dólar. Este novo BC ainda está estudando, mas certamente está vigilante para evitar que um dólar muito fraco prejudique nossas exportações. Até agora, o dólar está resistindo em cair abaixo de R$ 3,20. Mas há fluxo estrangeiro para o país e isso deve aumentar após a consolidação do impeachment da presidente Dilma, no segundo semestre, o que deve impactar o câmbio. Nós mesmos estamos revisando nossa estimativa de dólar para R$ 3,20 em dezembro deste ano – diz Gomes, da Correparti, lembrando que os bancos centrais do Japão, europeu e da inglaterra estão atuando juntos para evitar os impactos do Brexit, o que significa afrouxamento monetário, depreciando o dólar.

Para o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, a estratégia do ‘novo’ BC é deixar que o próprio mercado defina o piso e o teto para o dólar. Por enquanto, estima ele, o piso está em R$ 3,20 e o teto em R$ 3,25.

– Nesta quinta, o mercado testou um piso de até R$ 3,18, e o BC não interveio. No final do dia, o dólar voltou a ficar acima de R$ 3,20. É uma estratégia diferente do BC de Alexandre Tombini, que tinha um piso de R$ 3,50 para a moeda americana e entrava no mercado de câmbio sempre que a cotação ficava abaixo desse patamar – explica Galhardo.

Para ele, por enquanto, esse dólar a R$ 3,20 não está prejudicando as exportações, já “que não vemos chiadeira dos exportadores”. Segundo ele, os exportadores estão vendendo no exterior aquele excedente de produção que era destinado ao mercado interno e ‘encalhou’ com a demanda fraca.

– Por enquanto, não vemos reclamações dos exportadores. É claro que se houver um evento extraordinário e o dólar se desvalorizar muito, não descarto que o BC possa intervir – avalia Galhardo. O BC não faz leilões de swap cambial desde o dia 18 de maio.

Nos últimos dois pregões, a expectativa de que o Brexit leve a uma nova onda de estímulos monetários no mundo e a percepção de que o Banco Central brasileiro não baixará os juros tão cedo empurraram a moeda americana para menos de R$ 3,30 pela primeira vez em mais de 11 meses. A ausência do Banco central do mercado de câmbio também ajuda na desvalorização da moeda frente ao real. No exterior, o dóllar spot, índice que acompanha a variação da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,49%.

— Parece não haver mais piso para o dólar. O Banco Central não está atuando para segurar essa queda e, assim, o mercado vai testando para ver até onde a cotação pode cair. Vamos ter que esperar a manifestação de nossa equipe econômica para saber como ela vai agir, já que o dólar mais fraco afeta a balança comercial — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

BOLSA INVERTE SINAL E SOBE COM EUA

No mercado acionário, o índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que estava em queda pela manhã, inverteu o sinal e fechou com ganho de 1,03% aos 51.526 pontos e volume negociado de R$ 7,8 bilhões. A Bolsa brasileira acompanhou o desempenho dos mercados americanos, que subiram neste último dia do mês. Em Wall Street, o Dow Jones ganhou 1,3%, enquanto o S&P 500 também teve alta de 1,3%. O Nasdaq também avançou 1,3%.

– As declarações do presidente do Banco da Inglaterra (BOE) de que o Brexit traz prejuízos à economia inglesa e por isso será necessário um afrouxamento monetário animou os investidores. Isso minimizou os efeitos negativos da queda do preço do petróleo nos pregões – disse o economista-chefe da IHS para a Europa, Howard Archer, que acredita que o BOE pode retomar a compra de ativos.

A sinalização do BOE fez os títulos de dez anos da dívida alemã e suíça caírem para o terreno negativo, para -0,136% e 0,574% respectivamente.

Na Bovespa, entre as ações de maior peso no índice, o Itaú Unibanco PN subiu 2,33% (R$ 30,30), enquanto Bradesco PN avançou 0,51% (R$ 25,14). Petrobras ON perdeu 0,51% (R$ 11,51) e a PN caiu 1,26% (R$ 9,42), em dia de desvalorização do petróleo no mercado internacional. Na Vale, o papel ON subiu 3,56% (R$ 16,27) e o PNA registrou valorização de 0,77% (R$ 13,04) com a alta de mais de 3% no preço do minério de ferro no mercado internacional.

Na Oi (que não integra o Ibovespa) o papel ON teve baixa de 1,01% (R$ 1,96), e o PN, de 3,64% (R$ 1,32). Ontem, a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) acatou nesta quarta-feira o pedido de recuperação judicial da Oi.

EUROPA EM ALTA

Na Europa, as Bolsas tiveram seu terceiro dia de alta. O índice de referência Euro Stoxx subiu 1,15%, enquanto a Bolsa de Londres ganhou 2,27%. Em Paris, o pregão registrou valorização de 1% e Frankfurt subiu 0,71%. Declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, de que é favorável a uma redução dos juros no país, apesar das incertezas com o Brexit, trouxeram otimismo aos investidores. Carney disse que o Banco da Inglaterra tem um estoque de instrumentos para “aprofundar os estímulos monetários”.

Do outro lado do mundo, as bolsas chinesas fecharam com pouca variação nesta quinta-feira. Os investidores realizaram lucros após o movimento de recuperação desta semana devido às fortes vendas provocadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE). O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve variação positiva de 0,08%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,07%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,06%.

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