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BC faz três leilões de compra de dólar e moeda sobe a R$ 3,53

Postado por - 15/04/2016 13:00    

RIO e SÃO PAULO – O dólar comercial responde aos leilões de moeda americana feitos pelo Banco Central e se mantém em alta frente ao real nesta sexta-feira. Às 12h40m a divisa se valorizava 1,78%, sendo negociada a R$ 3,53 na venda. O BC voltou a intervir no mercado de câmbio e fez três leilões de contratos de swap cambial reverso, uma operação que equivale a uma compra futura de moeda.

Na prática, com os leilões, o BC retira dólares do mercado com o objetivo de elevar a cotação da divisa americana, que vem se desvalorizando frente ao real influenciada pelo fator político. O foco hoje é sessão na Câmara que irá decidir sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo.

De acordo com operadores de câmbio, investidores comprados no mercado futuro num dólar mais próximo de R$ 4 desmontam suas posições e a divisa americana recua.

— Nos últimos dois meses, houve um efeito manada de investidores desmontando posições no mercado futuro com dólar mais próximo de R$ 4. O mercado está apostando que uma troca de governo pode ser melhor para o país e assim o câmbio recua. O BC aproveita essa queda para reduzir sua exposição de swap tradicional (que era de mais de US$ 100 bilhões antes dos leilões e agora já caiu cerca de US$ 25 bilhões) e também atua para diminuir a volatilidade da moeda — explica Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Nos leilões de swap tradicional que vinha fazendo o BC se comprometia a vender dólares no futuro, o que evitava uma valorização excessiva da moeda americana.

No primeiro leilão, realizado entre 9h30m e 9h40m, o BC vendeu todos os 80.000 contratos de swap cambial reverso, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões. No segundo leilão, feito entre 10h20m e 10h30m foram vendidos apenas 7.500 dos 40 mil contratos oferecidos ao mercado. A operação movimentou US$ 373,9 milhões. A terceira compra de dólares foi feita entre 11h30m e 11h40m. Foram ofertados 32.500 contratos (o equivalente a US$ 1,6 bilhão), mas apenas 1.000 papéís foram vendidos (giro de US$ 49,8 milhões)

— Hoje, o mercado está respondendo aos leilões do BC, já que a moeda sobe, mas também há o fator cautela. Há expectativa para a aprovação do impeachment na Câmara, mas nunca se sabe se algo pode dar errado — diz o gerente de câmbio.

Analistas avaliam que apesar das intervenções do BC para manter o dólar comercial acima de R$ 3,50, a tendência para a moeda é de queda. Para Galhardo, a moeda pode recuar ainda mais se o processo de impeachment passar, mas é difícil estimar até onde o dólar pode ir. Há apostas de que a divisa americana poderia recuar até entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Mas Galhardo avalia que o BC vai continuar atuando para evitar uma queda muito brusca.

— O BC vai continuar atuando — diz Galhardo.

Ontem, mesmo com o BC retirando US$ 6 bilhões de circulação através dos leilões, o dólar comercial não teve força para subir e fechou praticamente estável, cotado a R$ 3,476, com pequena variação negativa de 0,02%. Na semana, através dos leilões, o BC retirou US$ 20 bilhões do mercado.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, está em alta desde a abertura e pouco depois das 10h já se valorizava acima de 1%. Às 12h42m, o Ibovespa subia 1,63% aos 53.265 pontos. A maior alta é apresentada pelas ações ordinárias (com direito a voto) da Estácio com ganho de 6,87% a R$ 12,29. A maior queda é das ordinárias da Oi, com perda de 1,11% a R$ 0,89.

“Hoje temos mais um dia complicado para os mercados de risco, especialmente no cenário local. O mercado vai repercutir as decisões do STF sobre liminares não acatadas pelo STF, que favoreceriam o governo, a postura do Bacen em relação ao câmbio e suas operações de swap cambial reverso e ainda os discursos inflamados na plenária da Câmara”, diz em relatório Álvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais.

No cenário externo, a divulgação de indicadores econômicos da China trouxe números melhores que os esperados. O PIB do primeiro trimestre registrou expansão de 6,7% anualizado, mas ainda assim mostra a menor expansão desde 2009.

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