Ômicron ainda não tem nenhuma vítima fatal confirmada, mas transmissão já supera Delta

Por Henrique em 2 de dezembro de 2021 às 14:49 | Atualizado 2 de dezembro de 2021 às 15:39 Ômicron ainda não tem nenhuma morte confirmada, mas taxa de transmissão é desconhecida

Mundo – Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma variante de preocupação do novo coronavírus (Sar-CoV-2), a ômicron assusta o mundo pela velocidade com que se propaga. Apesar da rápida disseminação e das poucas informações, a nova cepa ainda não fez nenhuma vítima fatal no mundo.

Aparecimento

Faz uma semana que o mundo foi informado sobre o surgimento de uma variante do coronavírus potencialmente mais transmissível, a Ômicron. Identificada na África do Sul, a cepa já está presente em pelo menos 18 países, incluindo o Brasil.

Potencial de mutação

Apesar de ter sido classificada como uma variante de preocupação pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por ter um conjunto de mutações nunca antes observadas, não há indicativos até o momento de que a nova cepa seja mais letal.

Aos 4 ventos

A Ômicron já foi detectada em todos os continentes, mas não há até o momento confirmação de mortes associadas à nova variante.

Mortalidade vs Vacinas

Ainda não se sabe como a nova cepa reage à imunização proporcionada pelas vacinas contra a Covid-19. Entre os infectados, alguns já haviam sido vacinados totalmente, mas é também possível que a vacina impeça a gravidade e a hospitalização dos novos infectados – as farmacêuticas alegam que precisam de mais duas semanas para exibir dados concretos sobre a eficácia em relação à nova cepa.

Ômicron vs Delta

O cenário é um pouco diferente do ocorrido na Índia no começo do ano, quando a variante Delta provocou uma explosão de casos e mortes, ainda antes do início da vacinação em massa.

Na África do Sul, 76% dos novos casos de Covid-19 já são causados pela variante Ômicron. No entanto, o aumento de infecções não tem se refletido em crescimento significativo de internações e óbitos.

O boletim da última terça-feira (30) do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis do país apontava apenas 21 mortes por Covid-19 em 24 horas e 119 hospitalizações.

Pesquisadores tentam entender se o vírus causador da Covid-19 tende a seguir o mesmo caminho do H1N1, que tinha uma agressividade maior quando surgiu e hoje causa sintomas muito semelhantes aos de outros vírus influenza, e com uma mortalidade menor.

Em entrevista recente ao jornal sul-africano Daily Maverick, o professor Salim Abdool Karim, diretor do Centro para o Programa de Pesquisa da Aids na África do Sul, ressaltou que “não há bandeiras vermelhas” que mostrem que a Ômicron provoque casos mais graves do que outras cepas, como a Delta, que já é dominante no mundo.

O professor salientou que na província de Gauteng, onde fica a capital do país, Pretória, houve um aumento significativo do número de novos casos no momento em que foi identificada a cepa Ômicron.

Todavia, 87% das novas internações por Covid-19, independentemente da variante, em hospitais daquela localidade eram de pessoas não vacinadas. A África do Sul tem apenas 24% da população completamente imunizada.

Incertezas

Nesta terça-feira, o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, admitiu que neste momento há “mais perguntas do que respostas sobre o efeito do Ômicron na transmissão, gravidade da doença e eficácia dos testes, terapêuticas e vacinas”.

A OMS, em conjunto com desenvolvedores de vacinas, aguarda resultados de testes que vão mostrar nas próximas semanas se a variante é capaz de escapar da imunidade conferida pelos imunizantes usados hoje no mundo.

A médica Angelique Coetzee, que tratou alguns dos primeiros pacientes infectados pela variante Ômicron na África do Sul, afirmou à agência de notícias AFP que todos apresentavam “sintomas leves”.

“O que os levou a me consultar foi [acima de tudo] um grande cansaço”, disse a médica.

A maioria era composta de homens com menos de 40 anos. Quase metade havia sido vacinada.

Além de apresentarem enorme fadiga, eles sofriam de dores musculares, tosse seca ou “coceira na garganta”, acrescentou. Apenas alguns poucos também tiveram febre baixa.

Em 18 de novembro, Coetzee alertou as autoridades sanitárias para este “quadro clínico que não coincide com o da [variante] Delta”, até agora a predominante na África do Sul. A médica não se surpreendeu, pois o quadro já estava sendo estudado.

Dias depois, em 25 de novembro, pesquisadores sul-africanos anunciaram que haviam identificado a variante B.1.1.529, chamada no dia seguinte de Ômicron pela OMS.

O Brasil confirmou nesta terça-feira os dois primeiros casos de Covid-19 em pacientes infectados com a nova variante.

Trata-se de um casal que havia retornado de viagem à África do Sul e realizou o teste no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, onde desembarcou, no último dia 25.

Eles não haviam sido vacinados e apresentaram sintomas leves. Os dois estão em isolamento doméstico.

 

 

 

Com informações via R7

 

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