O ex-presidente boliviano Evo Morales disse, nesta quinta-feira (21), que tem o “direito de se apresentar” a uma nova eleição, mas se declarou disposto a “renunciar” se isto favorecer a “pacificação do país”.

“Tenho direito a me apresentar, mas se isso for em detrimento da pacificação do país, renuncio”, afirma Morales, que recebeu asilo político no México, em uma entrevista publicada no site da revista alemã “Der Spiegel”.

Há um mês, a Bolívia está mergulhada em uma grave crise, deflagrada pela polêmica eleição de um quarto mandato de Evo Morales. Desde então, o líder indígena renunciou ao cargo e deixou o país.

Diante da pergunta sobre quando voltará para a Bolívia, foi taxativo: “Se fosse possível, agora mesmo. Sinto muita saudade de casa”.

“Sinto falta do meu trabalho. Trabalhava todos os dias das cinco da manhã até dez, ou onze da noite”, completa.

“Agora é provável que as futuras gerações tenham que continuar esta luta”, acrescenta Evo.

“Se quiserem me processar, que o façam, vou resolver isso. Mas não podem me prender, porque sou inocente”, adverte Morales.

Para ele, a nova equipe no poder “não é um governo de transição, é uma ditadura”.

Na quarta-feira, a presidente interina Jeanine Añez enviou um projeto de lei para o Congresso, convocando novas eleições presidencial e legislativas.

O texto, que deve ser aprovado pelo Parlamento, onde o Movimento ao Socialismo (MAS, sigla em espanhol) do ex-presidente Evo Morales tem maioria, anularia as eleições de 20 de outubro.

Fonte Exame