Melania Trump: de modelo a possível primeira-dama - Portal CM7

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Melania Trump: de modelo a possível primeira-dama

8 de maio de 2016 0 por

WASHINGTON — Tornar-se primeira-dama não é fácil. A evolução de pessoa independente para “metade superior”, “arma secreta” ou “gênio, com um currículo excelente, que colocou os filhos e a família em primeiro lugar, ao contrário do marido ambicioso” pode ser dolorosa e constrangedora. E Melania Trump, uma ex-modelo de 46 anos, está tentando encontrar seu lugar num ambiente em que tanto ela própria quanto a beleza (que, como modelo, era uma de suas principais ferramentas de trabalho) estão desvalorizadas.

Há uma expectativa de que a primeira-dama seja sempre equilibrada e polida, e em ocasiões oficiais, adote um estilo glamouroso e impecável. As ocupantes da Ala Leste da Casa Branca, seja Jackie Kennedy ou Nancy Reagan, Laura Bush ou Michelle Obama, sempre tiveram essa preocupação — e ocasionalmente conseguiam triunfar.

Mas para as primeiras-damas da era moderna, aparência não é profissão. Elas não construíram uma carreira apenas com o brilho dos olhos, a exuberância dos cabelos ou a beleza das pernas. Sempre havia algo forte que servia como a parte principal dos seus currículos. Mas esse não é o caso de Melania. Sua carreira a levou da Eslovênia a Milão e Paris, e por fim a Nova York, onde encontrou o homem que espera se tornar presidente: Donald, com quem se casou em 2005 e teve um filho. Isso faz dela uma criatura rara e exótica, alguém cujo sustento dependeu de genética, sorte e tenacidade. Ela é uma aberração.

VISUAIS DISCRETOS NA CAMPANHA

Mas quem teve essa profissão usufrui de pelo menos uma vantagem: em suas carreiras, as modelos quase nunca se comunicam verbalmente; a conversa sempre ocorre por meio de linguagem corporal — a extensão de um braço, uma olhada, a virada do tronco. Elas estão acostumadas a serem dissecadas visualmente. Por isso, parece que Melania tem uma certa confiança quando está sob os holofotes. É difícil ver uma expressão sequer de desconforto em seu rosto enquanto o marido gesticula descontroladamente ao seu lado.

Como modelo, a base do seu relacionamento com as roupas é diferente do de outras mulheres. Elas não são um reflexo de sua personalidade, mas sim figurinos aos quais dava vida. Uma modelo de sucesso é uma camaleoa que se torna o que sua roupa precisa que ela seja. Ela pode ser indiferente, aristocrática, ou até uma criança solitária. Ela é uma intérprete. As roupas sempre estão em primeiro lugar.

Na campanha presidencial, os visuais de Melania são cuidadosamente discretos e desinteressantes; não porque são feios, mas porque a mulher que os usa — a modelo — não deu vida a eles. A esposa que aconselhou o marido a ser mais “presidencial” parece estar conscientemente tentando se comportar como “primeira-dama”.

A regra padrão do vestuário político é que ele não pode distrair o espectador do discurso, do assunto em questão ou do candidato. O papel de uma modelo, por outro lado, é justamente esse: de distrair.

Não há uma imagem pré-definida de primeira-dama na qual Melania possa se encaixar. Afinal, para as primeiras-damas não há debates, nem discursos sobre política externa. A essência de uma primeira-dama é, na verdade, um aspecto da própria mulher. Elas recortam uma parte do currículo — interesse em literatura, artes, bem-estar infantil, luta contra a obesidade — e o transformam em seu carro-chefe na Ala Leste. Mas e se o currículo diz “modelo”, e quase nada mais? Ser vista como algo além disso torna-se um desafio.