Manaus – Na noite deste sábado(16) um jovem ainda não identificado infelizmente tirou a sua própria vida em Manaus, o mesmo estava na sua casa localizado no Condomínio Bosque dos ingleses, bairro Chapada, zona centro-sul de Manaus. 

Depressão e suicídio ainda são tabus para os homens e jovens no Brasil

Pesquisa identifica falta de informação e vergonha de falar sobre esses dois problemas, especialmente entre adolescentes e o sexo masculino

Como em muitos temas ligados à saúde, preconceito e desinformação têm atrapalhado o manejo adequado da depressão e do suicídio. E, segundo uma pesquisa encomendada pela farmacêutica Pfizer, esses fatores são especialmente comuns entre homens e jovens.

O levantamento “Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a saúde mental”, realizado pelo Ibope Conecta, contou com a participação de 2 mil brasileiros a partir dos 13 anos de idade. Os dados foram coletados na cidade de São Paulo e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza e Distrito Federal.

“Queríamos compreender como a depressão é vista pelo brasileiro. O objetivo principal foi ajudar a detectar as principais dúvidas, gargalos de informação e estigmas que persistem na população”, aponta Marjorie Dulcine, diretora médica da Pfizer.

Homens se suicidam mais e são menos informados
Para ter ideia, 30% dos entrevistados do sexo masculino acreditam que a depressão está relacionada à falta de fé ou não sabem avaliar se isso é verdade, enquanto apenas 17% das mulheres pensam da mesma forma.

Eles também apresentam desconhecimento sobre o tratamento, que é baseado em medicamentos e terapia. Mais da metade dos homens (55%) creem que atitude positiva e alegria de viver são suficientes para enfrentar a chateação ou não sabem opinar sobre essa afirmação.

“Isso é importante, claro. Mas depressão é uma doença. Então, como você vai conseguir combatê-la só com alegria e motivação?”, indaga Marjorie.

A ausência de informação se reflete nos números de óbitos. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de mortalidade por suicídio é de 2,4 mulheres a cada 100 mil, enquanto, para os homens, chega a 9,2 para cada 100 mil. Eles se matam cerca de quatro vezes mais.

“Isso está correlacionado, segundo estudos e nossa prática clínica, ao fato de os homens terem um comportamento mais agressivo e usarem métodos de suicídio de maior letalidade”, explica a psiquiatra Alexandrina Meleiro, da Universidade de São Paulo (USP).

Além disso, os marmanjos acreditam com mais ênfase na ligação da depressão com fraqueza. Na pesquisa encomendada pela Pfizer, 29% dizem não estar convencidos de que isso é um mito. “Também é uma preocupação que precisamos trazer à tona e discutir. Essa é uma questão que ainda permeia a sociedade”, afirma a diretora médica do laboratório.

Quando questionados sobre o tratamento medicamentoso, pelo menos um em cada cinco (21%) alega que não tomaria antidepressivos mesmo com prescrição médica. Entre as mulheres, o índice cai para 16%.

Isso preocupa porque, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os transtornos mentais estão por trás de 96,8% dos casos de morte por suicídio. E a depressão lidera o ranking.