As autoridades do Japão ativaram neste sábado (12) um incomum alerta máximo para chuvas diante da aproximação do supertufão Hagibis, que antes de tocar terra já havia provocado a morte de uma pessoa, deixado vários feridos e graves danos materiais.

Hagibis, o 19º da atual temporada de tufões no oceano Pacífico, foi catalogado como “muito forte”, o segundo maior patamar de intensidade da Agência Meteorológica do Japão (JMA), que alertou que as tempestades podem ser tão intensas quanto as provocadas em 1958 pelo tufão Ida, que deixou 1.269 mortos.

A JMA ativou o nível de alerta máximo para chuvas, o de número 5, em 12 cidades das regiões central e leste do país: Shizuoka, Kanagawa, Tóquio, Saitama, Gunma, Yamanashi, Nagano, Ibaraki, Tochigi, Niigata, Fukishima e Miyagi.Este nível de alerta é adotado em raras ocasiões e obriga os moradores de regiões próximas das margens de rios ou do mar a se refugiarem em lugares seguros ou em andares superiores de edifícios por causa do risco de inundações.

As autoridades japonesas advertiram que as intensas chuvas registradas desde a madrugada devido à grande extensão do tufão (cujo diâmetro é quase a metade da extensão do arquipélago) fizeram com que a vazão de rios superasse os níveis de risco em várias cidades, afetando áreas residenciais.

Pelo menos 10 rios do país, dois deles em Tóquio, estão em risco de transbordamento. Represas em Saitama e Tochigi estão no limite de capacidade, e estão previstas elevações do nível do mar de até 2,5 metros em algumas áreas da baía da capital, segundo dados divulgados pela rede de televisão pública “NHK”.

Às 20h (horário local; 8h de Brasília), as autoridades tinham decretado ordens de evacuação para mais de 1 milhão de pessoas e recomendado que outras 8 milhões deixem suas casas.

Segundo a operadora de energia Tokyo Electric Power Company (Tepco), mais de 150 mil imóveis estão sem luz só na capital. O supertufão se desloca a 35 km/h na direção norte-nordeste e tocou terra na península de Izu pouco antes das 19h locais.

De manhã, Hagibis já havia causado estragos na cidade de Chiba, a leste da capital japonesa, onde também, paralelamente, foi registrado um terremoto de magnitude 5,7 na escala Richter.

Na cidade de Ichihara, a tempestade provocou a formação de um tornado que arrancou parte dos telhados de pelo menos 10 casas e provocou o desabamento de outra. Cinco pessoas ficaram levemente feridas, entre elas três crianças.

Além disso, os ventos do tufão provocaram a única morte registrada até o momento em função do fenômeno climático, a de um homem de 50 anos cujo veículo foi arrastado, segundo a imprensa local.

Em setembro, Chiba sofreu com a passagem de outro tufão, o Faxai, que causou cortes no fornecimento de energia e danos materiais.

Os bombeiros da cidade de Gotenba, na província de Shizuoka, informaram que duas pessoas foram arrastadas pela correnteza de um rio. Uma foi resgatada, mas a outra está desaparecida.

No total, são quatro casos de desaparecidos em situações provocadas pelo supertufão, sendo dois em Shizuoka e dois em Gunma, e mais de 50 pessoas ficaram feridas em todo o país, segundo a “NHK”.

Hagibis, que tem rajadas de vento de mais de 210 quilômetros por hora, provocou a suspensão de quase todos os voos com partidas ou chegada nas regiões de Tóquio, Nagoya e Osaka, e o transporte ferroviário na capital foi totalmente suspenso de forma progressiva até o meio-dia de domingo.

Fonte R7