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Já na mira da Justiça, Cristina fica em apuros com nova delação

Da redação | 11/04/2016 05:20

BUENOS AIRES – Dois dias após ter sido incluída num delicado processo por suposta lavagem de dinheiro que levou à prisão de um de seus principais sócios comerciais, o empresário Lázaro Báez, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner retornará hoje a Buenos Aires, após quatro meses de isolamento na província de Santa Cruz, para iniciar o que juristas e jornalistas locais consideram um verdadeiro périplo judicial para evitar o seu indiciamento.

Nesta quarta-feira, a ex-chefe de Estado deverá prestar depoimento num outro processo, sobre supostas irregularidades em operações de venda de dólar futuro no Banco Central, que, segundo o juiz Claudio Bonadio, encarregado do caso, gerou prejuízo de US$ 17 milhões à instituição. O mais provável, segundo informações publicadas pela imprensa local, é que Cristina não seja detida nesta ocasião. Mas o cerco à ex-presidente é cada vez maior, e uma das principais incógnitas no momento é saber se o juiz Sebastián Casanello, que tem em mãos as investigações sobre Báez, seguirá os passos de Bonadio e também convocará a líder do kirchnerismo, cuja situação se complicou muito no último fim de semana devido a declarações de Leonardo Fariña, um ex-colaborador do empresário.

Delação premiada

Por cerca de 12 horas, Fariña, segundo informou o jornal “Clarín”, explicou ao juiz o funcionamento de “uma rede de lavagem de dinheiro” comandada, segundo ele, pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), morto em outubro de 2010, e por Báez. A delação deste ex-ajudante do empresário, um rapaz de apenas 29 anos, preso desde 2014 por sonegação de impostos, teve o efeito de uma tsunami. Fariña, que desde sábado passado teve sua segurança reforçada, decidiu atirar para todos os lados, com a expectativa de melhorar sua própria situação judicial graças ao chamado “recurso do arrependido” (espécie de delação premiada na Argentina). Contou, até mesmo, que acompanhou Báez em reuniões na residência oficial de Olivos, onde o empresário, de acordo com o depoimento, levava sacolas de dinheiro para os Kirchner.

“Trabalhei com Lázaro Báez numa rede de lavagem de dinheiro do Estado. Era controlada por Néstor Kirchner. Ele estava sabendo de tudo. Báez era sócio de Néstor e é sócio de Cristina”, assegurou Fariña em sua delação, que obrigou o promotor Guillermo Marijuán a solicitar a incorporação da ex-presidente, e também de seu ex-ministro do Planejamento, Julio De Vido, ao processo.

O pedido foi imediatamente acolhido pelo juiz Casanello, que no último sábado ordenou devassas na província de Santa Cruz, por exemplo, no escritório do contador de Báez. Estima-se que o próprio Báez pode não suportar a pressão, optando por dizer a sua verdade, algo que a ex-mulher do empresário prometeu, caso seu filho mais velho, Martín (braço direito do pai), seja preso.

Explicações à Justiça

A situação da ex-presidente é delicada. Na próxima quarta-feira, Cristina deverá explicar a Bonadio algo que o juiz considerou, em sua resolução, uma associação ilícita entre o Executivo e o Banco Central. Alguns jornalistas, como Hernán Cappiello, do diário “La Nación”, não descartam a possibilidade de que o magistrado possa, até mesmo, ordenar a detenção da líder kirchnerista.

— Ele acusa Cristina de ter participado de uma associação ilícita, delito que prevê dez anos de prisão. Se fosse qualquer outro magistrado, eu diria que ela entra e sai, mas com ele não sabemos — comentou o jornalista.

A ex-presidente enfrenta vários processos nos tribunais de Buenos Aires, e o de Bonadio não é o que mais preocupa a ela. No chamado caso Hotesur, atualmente sem um juiz definitivo, Cristina e seu filho, o deputado Máximo Kirchner, estão sendo investigados por supostas operações de lavagem de dinheiro utilizando os hotéis de luxo que a família possui na Patagônia, no Sul do país. No último fim de semana, a deputada e ex-candidata presidencial Margarita Stolbizer, que apresentou as primeiras denúncias sobre as atividades supostamente ilegais da sociedade Hotesur, solicitou que o processo seja unido ao de Casanello. Para a deputada, a família Kirchner lavou dinheiro por meio de seus hotéis em parceria com Báez.

— O cenário mais difícil para Cristina é o expediente de Casanello. Ali existem provas contundentes contra a ex-presidente — disse o advogado Ricardo Monner Sans, que apresentou cerca de 70 denúncias de corrupção contra os governos Kirchner.

Debate no governo Macri

Para Monner Sans, “as informações fornecidas por Fariña são muito importantes, entre elas números de telefone e endereços”.

— Vejo reais possibilidades de que a ex-presidente seja detida no caso de lavagem de dinheiro, mas Casanello precisa confirmar tudo o que foi revelado por Fariña — avalia o advogado, que na década de 1990 acusou o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) de contrabando de armas e terminou sendo o artífice de sua prisão domiciliar, no ano 2000, durante seis meses.

As denúncias contra Báez, Cristina e outros ex-funcionários kirchneristas estão em mãos dos tribunais portenhos há vários anos, mas até agora nada tinha acontecido. Semana passada, o presidente da Corte Suprema, Ricardo Lorenzetti, afirmou que era necessário “acabar com a impunidade”.

No governo do presidente Mauricio Macri, a situação judicial de Cristina e seus ex-colaboradores (semana passada foi preso o ex-secretário de Transportes Ricardo Jaime, acusado de corrupção) provocou debate interno. Para alguns funcionários, o inferno astral do kirchnerismo na Justiça favoreceria Macri, em momentos de muita queixa social por aumentos de tarifas e inflação ainda alta. Para outros, a ação da Justiça pode tornar a ex-presidente uma vítima e, assim, recuperar espaço no cenário político com o impulso de uma suposta perseguição injusta dos tribunais.

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