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Cultura da arma leva a ‘epidemia’ de tiroteios nos EUA

Da redação | 15/06/2016 05:20

WASHINGTON – Para especialistas, não importa muito a motivação do massacre de Orlando — homofobia ou terrorismo. Ele poderia ter sido dificultado, dizem, ou até mesmo evitado, se os Estados Unidos tivessem uma política mais restritiva às armas. Apesar de ter sido o mais mortal da História americana, o tiroteio na boate Pulse não é isolado: foram registrados mais de mil deles nos últimos 1.260 dias no país. Apenas no fim de semana foram outros cinco ataques a tiros com, no mínimo, quatro vítimas. Tema tabu, a ampliação de restrições às armas divide o país, que coleciona vítimas: são 90 mortes por dia, segundo organizações especializadas no tema.

A ONG Gun Violence Archive contabiliza que 13.429 pessoas foram mortas por armas de fogo em 2015 e, até agora, outras 5.962 perderam a vida este ano. Os números não levam em conta os casos de suicídio por tiro — que fariam mais que dobrar as cifras. Elas não encontram paralelo em nenhum país desenvolvido do mundo e são ampliadas pela facilidade na compra de armas, inclusive fuzis. Nos últimos cinco anos, por exemplo, a população dos EUA comprou 1,5 milhão de AR-15 iguais aos usados por Omar Mateen na Pulse.

— É muito fácil para aqueles que odeiam e têm a intenção de fazer mal, incluindo terroristas, ter acesso a armas. Devemos mudar isso em respeito às vítimas de Orlando e aos 90 americanos mortos a cada dia por armas de fogo — disse Dan Gross, da ONG Brady Campaign to Prevent Gun Violence, que pretende reduzir à metade o número de mortes a tiros até 2025.

Em dezembro, o presidente Barack Obama afirmou que os EUA “têm um padrão de fuzilamentos em massa sem paralelo em qualquer outro lugar do planeta”. Agora, voltou a pedir maior restrição às vendas de armas e um sistema universal de verificação de antecedentes criminais dos compradores. Mas o Congresso, dominado pelos republicanos — e em grande parte sob pressão do poderoso lobby da Associação Nacional de Rifles (NRA) — impede qualquer mudança, alegando que feriria a Segunda Emenda da Constituição. Aprovada em 15 de dezembro de 1791, a emenda estabelece que o povo tem o direito de portar armas, como parte dos “direitos naturais de autodefesa” e do “dever cívico” de defender o Estado.

Esperança de mudança

Allison Anderman, advogada do Centro Legal para a Prevenção da Violência Armada, afirmou ao GLOBO que há brechas para restringir o acesso às armas:

— Os estados não têm que esperar o Congresso, podem aprovar leis que ocupem as lacunas da legislação federal. Atos administrativos do presidente também são opções — disse. — Quanto mais fortes as leis num estado, menor o número de mortes por arma. Estados podem promulgar leis de verificação de antecedentes, ou proibir licenciamento e compra em alguns casos.

Mas alguns afirmam que massacres como o de Orlando podem começar a mudar, definitivamente, a cultura pró-armas, fazendo com que americanos aceitem restrições ao “sagrado direito”, caso os debates sejam conjuntos, e não a tradicional discussão sobre liberdades individuais:

“Não temos dois problemas, um sobre armas e outro sobre terrorismo. Temos um problema de terrorismo que se alimenta da nossa relação com armas. E quanto mais tratamos o terrorismo como algo isolado, mais faremos os terroristas parecerem mais fortes do que são, que é tudo o que eles querem”, escreveu Zack Beauchamp, editor do site “Vox”.

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