Desacostumados com a vida em campo, dois vizinhos estão processando a fazendeira Corrine Fesseau por causa do galo Maurice, que eles alegam fazer muito barulho.

Segundo a reclamação protocolada no tribunal, os vizinhos, Jean-Louis e Joelle Biron, dizem que o galo canta às 5 horas da manhã todos os dias, e que o barulho conta como perturbação sonora.

Os dois moram na cidade de Limousin e tem uma casa de campo em Saint-Pierre-d’Oléron, onde o galo se tornou um incômodo.

Corrine diz que não vai deixar o processo abalá-la. “A natureza tem que continuar sendo o que ela é, e o interior deve seguir com seus barulhos naturais”, diz.

“As pessoas precisam entender que na cidade eles estão acostumados com barulho, mas que no interior nós temos outros sons que sempre estiveram aqui e que são naturais”, conclui.

O processo abre a discussão de que moradores da cidade não entendem e não respeitam a vida do campo e de pequenos vilarejos.

“Quando nós, moradores do campo, vamos para a cidade, nós toleramos o barulho. Não gostamos, mas a gente se adapta. Então quando eles, moradores da cidade, vêm para o interior, eles deviam fazer o mesmo”, diz Corrine.

Galo ganhou fãs

Com o processo inusitado, o galo Maurice se tornou famoso e ganhou centenas de fãs. Corrice recebe em casa cartas de admiradores e defensores do animal vindos da Bélgica e dos Estados Unidos. Camisetas também foram feitas para demonstrar apoio ao barulho do galo.

“Eu vou bater neles, essas pessoas que vem de suas casas parisienses e reclamam de um galo. Não deveria nem existir um processo, eu só vou bater neles. Isso é inaceitável, isso é tudo idiota”, disse a turista de 62 anos Bernadette.

Caso não é o único

Apesar de inusitado, não é incomum moradores de grandes cidades se sentirem incomodados com o barulho do campo.

Um morador da cidade de Souston pode aparecer no tribunal na terça-feira (3) para ser julgado pelo barulho excessivo dos patos, que moram no quintal, e que perturbam os vizinhos vindos da cidade.

No começo de 2019, moradores da cidade de Saint-Martin de Colmar também ameaçaram processar uma igreja pelo barulho dos sinos.