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Brexit pode fazer Brasil sofrer choque pelo mercado

Da redação | 23/06/2016 04:50

RIO – Turbulência no mercado financeiro e consequente aversão a investimentos em países de maior risco devem ser os principais efeitos para o Brasil no caso de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia (UE), apontam especialistas. Como a ilha responde por menos de 2% das exportações brasileiras, o impacto do chamado Brexit será limitado pelo lado do comércio, mas economistas apontam risco no caso de sequelas mais intensas para a economia europeia e suas consequências para a economia mundial. Há quem veja, ainda, que o Brasil perde uma voz a favor da liberalização de comércio no contexto da negociação entre o Mercosul e a União Europeia.

— O Brasil poderia ser mais afetado de forma indireta, com contágio sobre o resto da União Europeia e efeito nos mercados financeiros e potenciais impactos para a economia global. Sem dúvida, o maior efeito é instabilidade financeira e redução de crescimento global na hipótese de um contágio mais severo — afirma o economista Estevão Scripilliti, do Bradesco.

Efeito negativo sobre PIB brasileiro

Em um cenário mais adverso para a economia global em função do Brexit, segundo ele, o Brasil poderia perder potencialmente até 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).

Na semana passada, o mercado financeiro deu mostras da turbulência que pode vir por aí. As principais Bolsas do mundo despencaram e a libra caiu. Até 21 de junho, a moeda britânica acumulava queda de 4,38%. Projeção do Bradesco considera risco de recuo de até 20% da libra. No Brasil, o dólar subiu 1,16% na semana passada, até quinta-feira. Em momentos de turbulência, os recursos de investidores tendem a deixar os mercados de maior risco em direção a portos seguros.

— As mudanças não são de curto prazo, mas os mercados se assustam rapidamente. Uma situação de aversão a risco pode levar a desequilíbrio nas moedas e recuo nos preços de commodities. A reação vai depender se teremos ou não uma ação coordenada dos bancos centrais — diz o economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira.

Estimativas apontam que o crescimento da economia da zona do euro pode chegar a zero em 2017 se o Brexit vencer, o que seria uma perda frente à previsão de 1,7% de expansão sem a separação. Neste caso, haveria impacto via exportações brasileiras, já que o bloco europeu responde por quase um quinto das exportações do Brasil.

Impacto financeiro de curta duração

Presidente internacional do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), Ingo Plöger vê com preocupação o Brexit. Ele reconhece que o comércio entre Brasil e Reino Unido é pequeno, mas destaca que o país europeu tem uma visão mais liberal no comércio que o resto do bloco, o que não deve facilitar as negociações comerciais em curso entre Mercosul e União Europeia:

— Lá na frente, o Reino Unido pode até se tornar mais liberal se sair da União Europeia. Mas os ganhos em benefícios para o Brasil seriam pequenos diante da perda do papel mais liberal desempenhado pelo Reino Unido. Isso aumentaria a força protecionista na Europa, não vale a pena.

Professor do Instituto de Economia da UFRJ, Luiz Carlos Prado acredita que o impacto pelo mercado financeiro tende a ser de curta duração, mas concorda com a preocupação sobre efeitos nas economias europeia e mundial:

— Há um efeito potencial na economia brasileira se ocorrer desaceleração na economia europeia. Além disso, temos muitas multinacionais europeias no país, e a decisão pode ter efeito sobre suas políticas de investimento.

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