Desde junho as autoridades e os produtores de Corrientes na Argentina e do Brasil, estão preocupados com uma nuvem de gafanhoto. Nesta quinta-feira, 9 de julho, as temperaturas se elevaram e fizeram com que os insetos voltassem a se deslocar. De acordo com as informações, a nuvem teria se deslocado cerca de 10 quilômetros ao sudeste de onde estavam desde o domingo, 5 de julho, no interior do departamento de Curuzú Quatiá. O local fica a cerca de 180 quilômetros de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

No boletim divulgado pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), foi informado que, o gavanhotos, teriam se deslocado por volta das 13 h da estância Che Mbae, quando a temperatura estava entre 18 ºC e 20 ºC. Os técnicos do órgão seguiram avistando a nuvem pela Ruta 24, em direção sul. No entanto, antes que os intentos chegassem a Ruta 30, que corta a região no sentido leste/oeste, os técnicos os perderam de vista.

“A partir de informações de uma moradora local, a estimativa é de que os gafanhotos tenham pousado no final da tarde na região de Zarza Rincón. Isso embora uma primeira busca na área não tenha dado em nada. Os trabalhos devem ser retomados na área na manhã desta sextaa, 10”.

Segundo o doutor em entomologia Mauricio Paula Batistella Pasini, da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), no Rio Grande do Sul, geralmente os insetos se movem na direção do vento e a temperatura ideal para eles é a partir dos 15 ºC, por este motivo, os insetos estariam na mesma fazenda desde domingo 9 de julho, uma vez que, no início da semana, a região estava com a temperatura baixa.

Juliano Ritter, fiscal agropecuário da Secretaria de Agricultura do Estado, que está encarregado de monitorar as condições para o risco da entrada dos gafanhotos para o Brasil, explicou que a temperatura entre Barra do Quaraí e Uruguaiana está parecida com a de Curuzú Quatiá: entre 20 ºC e 21 ºC. Também adequada para os insetos. “Com temperatura mais alta, normalmente temos vento norte mais forte (em direção sul). Pelo menos nos próximos dias isso deve continuar assim”.

De acordo com a Senasa, a nuvem de gafanhotos em voo chegou a ter 10 quilômetros de comprimento por três de largura, o que daria em média, cerca de 400 insetos. Portanto, devido a voracidade dos gafanhotos, que geralmente se alimentam de plantações, pastagens e outros vegetais onde pousam, o grupo seria capaz de consumir em um dia, uma lavoura que alimentaria 35 mil pessoas.