Manaus  – O candidato à Prefeitura de Manaus, Amazonino Mendes (Podemos) é um dos 13 postulantes que buscaram voto no domingo, 15, que têm requerimentos de exploração mineral em terras indígenas. De acordo o levantamento do projeto Amazônia Minada, iniciativa do InfoAmazonia lançada em 2019, dez desses políticos são da Amazônia Legal.

De acordo com a entidade, que já analisou mais de 3 mil requerimentos minerários protocolados na Agência Nacional de Mineração (ANM) que estão sobrepostos a terras indígenas, o número de políticos é o maior desde o pleito de 2014.

No total, desde 2014, são 38 candidaturas em todo o País ligadas à mineração nessas áreas, sendo que 32 são de políticos da própria região amazônica.

“Um dos nomes mais conhecidos é o de Amazonino Mendes, candidato a prefeito de Manaus pelo Podemos. Ex-governador do Amazonas, Mendes é sócio majoritário da mineradora SMD Recursos Naturais Ltda, empresa responsável por seis pedidos de pesquisa de minério de estanho em áreas dos povos Waimiri Atroari, no Amazonas, e Yanomami, em Roraima”, diz a organização.

Em novembro de 2019, o projeto Amazônia Minada mostrou que a companhia quer extrair minério de ferro no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. O caso foi tema de reportagem do site The Intercept Brasil.

Conforme a InfoAmazônia, a empresa SMD Recursos Naturais também tem em seu quadro societário Samuel Assayag Hanan, ex-vice-governador do Amazonas e ex-secretário estadual da Fazenda. A organização destacou que em 2018, o então governador Amazonino Mendes indicou o sócio Hanan para o Conselho de Administração da Companhia de Gás do Estado (Cigás) e , em agosto do mesmo ano, o Tribunal de Contas do Estado aprovou a sua convocação para explicar indícios de irregularidades na Cigás.

“Entre as pessoas que querem minerar a Amazônia e que ocuparam cargos relevantes no governo de Amazonino Mendes está o geólogo e empresário João Orestes Schneider Santos – ex-secretário de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado”, revelou a organização.

De acordo com o levantamento, Schneider Santos é sócio ou administrador de três empresas que, juntas, têm 17 requerimentos na ANM para explorar minérios em Terras Indígenas. Os pedidos são para extração de bauxita em áreas dos povos Munduruku, Mura e Arapiun – no Amazonas e no Pará.

Ainda em 2018, quando foi nomeado secretário do Amazonas, Schneider recebeu o seguinte “elogio” do então governador, lembrou a entidade: “É inadmissível como um Estado como o Amazonas, com uma riqueza mineral gigantesca, não tenha uma política mineral. Para tanto, nós estamos nos socorrendo de um dos maiores expoentes do setor, de toda a nação brasileira, o doutor Schneider”.

Preocupante
Ao InfoAmazônia, o ambientalista Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, explicou que os requerimentos feitos por políticos são preocupantes e já deveriam servir de alerta para os eleitores nestas eleições.

“Eles [os políticos] estão propondo realizar uma atividade ilegal, e isso é preocupante. Acho que as pessoas, na hora votar, deveriam considerar isso: um candidato que propõe realizar uma atividade econômica ilegal numa área. Ou eles estão, realmente, esperando que essas sinalizações do governo de abrir, de passar por cima da Constituição, se configurem”, afirmou à organização, o ambientalista.

Fonte: Revista Cenarium.