Manaus – Nessa quarta-feira (12/8), Neymar e o PSG conquistaram uma heroica classificação para a semifinal da Champions League. Incansável, o camisa 10 se movimentou pelo campo todo, participou dos principais lances do clube de Paris e aguentou as duras faltas que levou sem revidar (muito). Depois, feliz e exausto, comemorou o resultado com seus companheiros.

Embora as cenas vistas possam ser consideradas mundanas para um jogador do nível de Neymar, elas surpreendem porque, há cerca de um ano, os últimos capítulos chegaram muito perto de não ser escritos.

Neymar começou a temporada vindo de uma lesão no tornozelo sofrida com a Seleção Brasileira, irritado com uma negociação frustrada para voltar ao Barcelona, enrolado em problemas fora de campo e xingado pelos torcedores. O brasileiro não escondeu que queria sair e Leonardo, diretor esportivo do PSG, dava a impressão de não fazer questão de sua presença no elenco.

O clube, como um todo, parecia estar exausto de Neymar. Quando ele foi contratado em 2017, por 222 milhões de euros — na época, a transação mais cara do futebol –, Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, pensava ter no brasileiro a peça que faltava para transformar a emergente equipe em uma potência global e, enfim, conquistar a Champions League.

Neymar, de fato, colocou o PSG no noticiário. Foram confusões com companheiros, acusações de tratamento privilegiado e muitas baladas e shows de moda. Na Liga dos Campeões, duas eliminações prematuras, além de lesões que o fizeram perder jogos importantes.

Dessa forma, a história de Neymar na França parecia ter chegado a um melancólico fim. Com a ascensão de Kylian Mbappé, o PSG não precisaria mais ficar refém do brasileiro, se prontificando a negociá-lo. Além do Barcelona, surgiram sondagens do Manchester United e do Real Madrid, porém, nenhuma negociação foi para frente.

A temporada foi avançando, e Neymar foi ficando. Saudável, o brasileiro voltou a atuar regularmente, jogando bem. Antes da parada devido à pandemia de coronavírus, o brasileiro emendou uma sequência de boas atuações pela Ligue 1 e foi instrumental na eliminação do Borussia Dortmund, pelas oitavas de final da Champions League.

Durante a pandemia, retornou ao Brasil, mas dessa vez não havia Carnaval. Neymar treinou, cuidou da parte física e no retorno do futebol, tem demonstrado energia e fôlego invejáveis, sendo essencial nas conquistas da Copa da França, na Copa da Liga Francesa e, agora, para classificar o PSG à semifinal da Champions.

Aos 28 anos, Neymar parece ter voltado ao caminho que o seu potencial sempre indicou. Se isso vai se traduzir em um novo título de Champions League ou em um prêmio de Melhor do Mundo, depende também da concorrência e das questões imponderáveis do futebol. A parte dele está sendo feita. O menino cresceu.

Fonte Metrópoles