Manaus – O relator da CPI da Saúde criada pela Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado estadual Fausto Jr, fez nesta terça-feira (14) um breve balanço das investigações realizadas pela comissão nos últimos 45 dias.

De acordo com o parlamentar, a comissão constatou a existência de um padrão adotado pelo governo do Estado na escolha de empresas que prestam serviços à Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam).

Trata-se da contratação de serviços por meio de processos indenizatórios, onde as empresas oferecem produtos e serviços por preços superfaturados, sem que haja controle ou contestação de preços por parte da Susam.

“As empresas dizem o preço e o governo paga sem reclamar, num claro indício de irregularidade”, afirmou o deputado.

Fausto Jr. citou o exemplo da lavanderia que presta serviço ao hospital Nilton Lins. Segundo o deputado, não houve licitação para escolha da empresa, e o pagamento é feito por meio do peso da rouparia hospitalar lavada diariamente.

“No hospital nunca houve uma balança para pesar as roupas. Porém a empresa diz que lavava quase quatro toneladas todos os dias”, explicou Fausto. “No início dos trabalhos do hospital havia menos de dez pacientes internados, mesmo assim a lavanderia diz que foram lavadas quatro toneladas de roupa todos os dias”, comparou o deputado.

A falta de medicamentos é outra realidade encontrada pela CPI. Segundo foi apurado, familiares de pacientes são obrigados a comprar remédios para cuidar dos doentes.

“Recebemos denúncias da falta de vários remédios nos hospitais, como a morfina. Trata-se de um potente anestésico para aliviar dores severas. É inconcebível que um hospital não tenha morfina para tratar seus pacientes”, destacou o deputado.

Fausto Jr. também citou o cuidado de crianças internadas no hospital do câncer de Manaus (Fundação Cecon). Segundo o deputado, foi confirmada a falta de remédios para o tratamento de crianças com câncer, comprometendo o controle e combate à doença.

“Alguns familiares disseram à CPI que as crianças com câncer eram tratadas com dipirona e paracetamol”, exemplificou o deputado.

Outro problema encontrado foi a fila de espera por cirurgias cardíacas no hospital Francisca Mendes. Fausto Jr. revelou que a espera por uma cirurgia no coração pode levar até três anos. “Problemas no coração não podem esperar. Precisam de uma solução urgente, porém a fila de espera pela cirurgia é cada vez maior”, afirmou.

O parlamentar lembrou as mortes de crianças cardiopatas ocorridas ano passado por causa da falta de estrutura e de gestão no hospital Francisca Mendes. “A vida não pode esperar. Os tratamentos têm que ser feitos de forma urgente. Não falta dinheiro para a Saúde, o que falta é gestão eficiente na Saúde Pública do Amazonas”, criticou o deputado.