Manaus – O médico clínico geral Júlio Adriano da Rocha Carvalho, afastado das funções após denúncias de abuso sexual de pacientes dentro de um consultório em Manaus, foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) após relatos de novas vítimas. Pacientes e até a recepcionista de um hospital relataram abusos do médico.

Interrogado pelo MP-AM sobre as novas denúncias, o médico informou que só falará em juízo. A denúncia feita pelo MP-AM foi encaminhada para a Justiça. O documento conta que uma das vítimas foi procurar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Tarumã, em outubro de 2016, pois estava com tosse e dores na garganta. Após receber medicação, ela foi atendida pelo médico denunciado para pegar um atestado médico.

Quando entrou na sala, o acusado trancou a porta do consultório e “começou a fazer comentários indecentes”, simulando iniciar procedimentos médicos. Segundo denúncia, ele tocou nos seios da vítima por dentro do sutiã e seguiu tocando no corpo da mulher e fazendo comentários sobre ela. No mesmo dia, a vítima foi até o 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e manifestou “vontade inequívoca” de processar o agressor. Um boletim de ocorrência foi registrado.

Em uma segunda denúncia, de agosto do ano passado, uma mulher conta que procurou atendimento em um hospital no Centro, com sintomas de infecção urinária. No consultório, ela foi surpreendida com o tratamento íntimo do médico. O acusado teria dito para a paciente desabotoar as calças para examiná-la, mas começou a fazer comentários sobre a roupa íntima da vítima. Segundo a mulher, o médico “estava visivelmente excitado” e se encostou nela ao sugerir que fossem a um local mais confortável. As investidas só pararam quando a mulher ameaçou chamar o marido.

Outra mulher com poucas semanas de gestação contou que procurou atendimento médico por sentir fortes dores no estômago na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Campos Sales, no bairro Tarumã, Zona Norte de Manaus, em novembro de 2014. Quando entrou no consultório do médico, ele trancou a porta, pediu para que ela levantasse o vestido e deitasse na maca. O relato da vítima diz ainda que ele começou a chamá-la de “bebê”, elogiar o corpo dela e fingir examiná-la.

Neste momento, o médico começou a passar as mãos nos seios, nádegas e tentou colocar a mão dentro da calcinha da paciente, segundo a denúncia. Ela então percebeu que o procedimento não estava certo e o empurrou. Ele a puxou para o colo dele, mas a mulher conseguiu fugir. No mesmo ano, em setembro, uma recepcionista relatou ter sido vítima do médico. Ela conta que estava nas escadas de um hospital situado no Centro de Manaus, quando ele a jogou contra a parede, pegou na cintura dela e “passou a esfregar seu corpo libidinosamente”. Ela então empurrou o médico e correu.

A mulher contou o que havia acontecido para os pais, mas não registrou o ocorrido na delegacia, por medo de represália por conta do médico, por ser recepcionista na unidade. Atualmente, o médico responde pelas denúncias anteriores em liberdade, pois a Justiça entendeu que ele não tem antecedentes criminais e, por isso, pode responder em liberdade desde que seja monitorado por tornozeleira eletrônica.

Fonte: G1 Amazonas