Manaus – O ex-secretário executivo de Saúde do Amazonas, João Paulo Marques, foi ouvido hoje (26) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre a compra de respiradores hospitalares com suspeita de superfaturamento, o ex-secretário disse várias vezes que não se lembrava de seus atos à frente da Susam.

Quanto o assunto foi o aluguel do hospital de campanha Nilton Lins, onde existe suspeita de irregularidades, o ex-secretário disse que o prédio não era de sua competência.

A insistência em dizer que não se lembrava de seus atos, bem como a repetição da frase “não era de minha competência”, irritou os membros da CPI.

Com a demissão do ex-secretário da Susam, Rodrigo Tobias, em 8 de março, João Paulo Marques assumiu o comando da secretaria de Saúde até a posse na nova secretária, Simone Papaiz. Neste período foram assinados vários contratos com suspeita de irregularidades.

É o caso da compra de respiradores hospitalares para atender o hospital de campanha Nilton Lins. Segundo foi constatado pela CPI, existem irregularidades na aquisição dos equipamentos.

Segundo informações recebidas pela comissão, foi João Paulo quem modificou o processo com as informações sobre o modelo dos respiradores.

Sem qualquer explicação técnica, ao invés de adquirir aparelhos usados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), a Susam comprou 28 máquinas portáteis que não serviram para salvar a vida de pacientes com coronavírus.

A manobra custou R$ 2,97 milhões ao governo do Estado.

O desaparecimento de processos no banco de dados da Susam, onde havia informações sobre a compra de respiradores e o aluguel do hospital Nilton Lins, também não foi explicado pelo ex-secretário.

A CPI quis saber por que ao invés pagar pelo aluguel do hospital Nilton Lins, o governo não fez parceria com os hospitais Beneficente Portuguesa e Getúlio Vargas. As duas unidades teriam preferência na parceria com a Susam.

João Paulo Marques explicou que o hospital universitário Getúlio Vargas precisava de autorização do Ministério da Saúde para se integrado ao combate do coronavírus no Amazonas. Segundo o ex-secretário, a autorização não foi concedida pelo ministério.

Quanto ao hospital Beneficente Portuguesa, João Paulo disse que a unidade não dispunha de leitos de UTI, por isso foi descartado pelo governo.

As alegações não foram aceitas pelos membros da CPI, que disseram que o hospital Getúlio Vargas é vinculado ao ministério da Educação, e não ao da Saúde. A falta de leitos de UTI no hospital Beneficente é o mesmo problema enfrentado pela unidade Nilton Lins, que mesmo assim foi alugada pela Susam.

Após o depoimento cheio de contradições, João Paulo Marques foi comunicado que poderá ser convocado novamente para dar explicações à CPI, inclusive para participar de acareações com outros depoentes.

Na próxima segunda-feira (29), a comissão ouvirá o ex-secretário executivo adjunto da Susam, Perseverando Trindade Filho, o depoimento será às 10h. À tarde, a partir das 14h, será a vez do ex-secretário da Susam, Rodrigo Tobias de Souza, ser ouvido pela CPI.

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