Campanha Julho Amarelo oferece teste rápido para diagnóstico de hepatites virais

Em alusão à campanha mundial “Julho Amarelo”, a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) por meio da Liga Acadêmica de Hepatologia, realizaram na manhã desta quarta-feira (26) mil testes rápidos para hepatites B e C no Ambulatório da FHAJ, no bairro da Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus.

“Este é o mês de combate às hepatites virais que é um problema de saúde pública que aflige não só a população, mas o mundo todo e, neste mês, existe a mobilização no sentido de oferecer e conscientizar as pessoas sobre as hepatites virais, principalmente, sobre os tipos B e C que são as hepatites com potencial de evoluir para cirrose, além do câncer de fígado”, explicou a coordenadora da campanha, a especialista em Gastroenterologia, Doutora em Hepatologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cristina Melo Rocha.

Segundo a médica, por serem doenças silenciosas que não apresentam sintomas específicos, as hepatites virais acabam não sendo diagnosticadas precocemente. “Quando ela (hepatite) vai dar algum sinal, aí já é uma fase adiantada da doença e a gente não tem muito a oferecer. Por isso, o ideal é dar o diagnóstico precoce e quanto mais cedo fizer o exame, melhor”, alertou a médica.

Exames

O exame de hepatite B tem que ser feito pelo menos uma vez na vida e se o exame tiver o resultado negativo, a pessoa deve procurar um posto de saúde para tomar a vacina contra a hepatite B. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde para todas as idades.

Já o exame da hepatite C deve ser feito, obrigatoriamente, para pessoas acima de 40 anos que é quando a doença é mais prevalente. Ainda não existe a vacina para esse tipo de hepatite (C), mas existe tratamento também disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a importância da necessidade de fazer o exame uma vez por ano.

Durante a campanha na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), a doutora Cristina Melo informou que uma vez detectada a doença nas pessoas que fizeram o teste rápido na manhã desta quarta-feira (26), essa pessoa será orientada para fazer o acompanhamento médico no próprio ambulatório especializado na FHAJ que tem atendimento especializado.

Maior incidência

A região Norte é a que possui o maior índice de doenças no Brasil. Segundo a doutora Cristina Melo, por se tratar de uma área endêmica, o Estado tem um grande número de ocorrências. Um a cada 10 habitantes tem hepatite B. Já a hepatite C tem uma incidência menor: de cada 100 habitantes, dois são infectados por esse tipo de hepatite.

“Precisamos abraçar essa campanha e orientar a população de que esses testes precisam ser feitos porque essas doenças têm o curso silencioso. Precisamos estimular a população a participar”, alertou a doutora Cristina Melo.

A especialista enfatizou ainda que os principais motivos da doença, no caso da hepatite B é que ela é transmitida dentro de casa, de pessoa para pessoa, dentro da família, especialmente na primeira infância até os cinco anos de idade. Já a hepatite C é um vírus mais recente que foi transmitido principalmente, naquela época em que a população tinha o hábito de tomar vacina nas farmácias e utilizavam a seringa de vidro com agulhas de ferro e a esterilização era precária. Através desse método, muitas pessoas foram contaminadas com esse vírus.

Outros fatores motivadores para as doenças são os compartilhamentos das mesmas seringas. O vírus também circula entre usuários de drogas, além de transfusão sanguínea. “Antes de 1992, a gente ainda não conhecia esse vírus, não tinha o exame disponível para ser realizado. Então, qualquer transfusão realizada antes de 1992 é considerada de risco e qualquer pessoa que tenha esse histórico de ter sido transfundida ou ter feito cirurgia antes dessa época, deve ser orientada a fazer o teste da hepatite C”, salientou a coordenadora da campanha.

A hepatite B também é considerada uma Doença Sexualmente Transmissão (DST) e pode ser adquirida por meio de relação sexual. Em alguns dos casos citados pela doutora Cristina Melo, o marido contamina a esposa sem ter conhecimento da doença.

Prevenção

O exame rápido para diagnóstico das hepatites virais dura aproximadamente 30 minutos e é bem sensível. O mecânico Waldery da Cruz Leite, 59, veio do município de Carauari para fazer o exame e trouxe a esposa junto para também ser avaliada. “Essa é a terceira vez que venho fazer esse exame porque sempre faço avalição completa todos os anos e acho que a nossa saúde é muito importante. Precisamos nos prevenir mais”, declarou Waldery, enquanto prestava apoio à mulher, Ana Paula da Silva, 28, que também fez o exame rápido na Fundação Hospital Adriano Jorge na manhã desta quarta-feira (26). Ela disse que a preocupação em fazer o exame se deu em função de que alguns parentes da família já morreram em decorrência de hepatites.

Já o mototaxista Orleílson Cruz, 48, veio de Tefé para fazer o exame porque suspeita estar com a doença. “Faz duas semanas que estou com os olhos amarelos e com coceira pelo corpo. Além disso, estou com suspeita de cálculo renal e vim tentar fazer um tratamento aqui em Manaus”, disse Cruz enquanto aguardava o resultado do exame.

A auxiliar de serviços gerais, Luzia dos Santos, 59, aproveitou que já está em tratamento na FHAJ e também foi fazer o exame para diagnóstico de hepatites. “Vi na televisão que ia ter esse exame hoje aqui e aproveitei para fazer já que tinha de retornar com o meu médico hoje. Estou em tratamento de doença no pâncreas, por isso é bom também fazer o exame de hepatite. Sempre é bom prevenir”, disse a paciente.

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