Rio de Janeiro – A Polícia Civil abrirá um novo inquérito para apurar suspeitas de adoções ilegais feitas pela deputada federal Flordelis (PSC-RJ), denunciada sob a acusação de ter sido a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto a tiros em 16 de junho de 2019 dentro de casa em Niterói, região metropolitana do Rio.

Mãe de 55 filhos, Flordelis não foi presa porque tem imunidade parlamentar. A Corregedoria da Câmara dos Deputados não a encontrou em duas tentativas de notificação sobre abertura de processo que pode levar à cassação de seu mandato. Em meio à apuração do homicídio, foram colhidos depoimentos e informações que indicam ilegalidades. O conteúdo será encaminhado à DCAV (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima), que dará início a uma nova investigação nos próximos dias.

A polícia constatou a existência de alguns casos de acolhimento irregular, conhecidos como “adoção à brasileira” — quando os pais biológicos entregam a criança para outra família às margens dos trâmites legais, fora de qualquer controle judicial ou institucional. Depois da Lei da Adoção de 2009, qualquer pessoa que queira adotar uma criança precisa estar obrigatoriamente inscrita no Cadastro Nacional de Adoção. Isso pode não ter acontecido em algumas das adoções, diz a polícia.

Entre os casos suspeitos de acolhimento irregular, há indícios de ilegalidade na adoção de Daniel dos Santos, que era citado até então como o único filho biológico do casal. Um dos filhos adotivos ouvidos pelo UOL disse que todos sabiam na casa da família que Daniel tinha sido adotado. “Ele chegou ainda bebê na casa. A Flordelis não engravidou [nesse período]”, disse.

Em paralelo, as investigações do assassinato ainda continuam. Após a prisão de sete filhos e uma neta da deputada, a Polícia Civil do Rio agora investiga a suspeita de participação de outras quatro pessoas próximas à família nos crimes que levaram ao assassinato de Anderson —um pastor, uma cozinheira, um motorista e uma neta.

“A Flordelis só não está presa porque tem imunidade parlamentar. Mas acredito que o mandato será cassado, porque a conduta dela é incompatível com o decoro parlamentar. Ela é tão perigosa ou mais do que as pessoas que já foram presas. O crime só aconteceu por causa dela”, disse o delegado Allan Duarte, da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

Com informações da UOL