Enquanto alguns estudantes se desdobram para vencer os conteúdos ou terminar suas revisões antes do próximo domingo (12), outros inscritos no Enem continuarão estudando após o dia 12 e também farão o Exame. No Pará, mais de 700 detentos farão o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL), aplicado nas penitenciárias do país para aqueles que estão custodiados nos presídios.

A prova deste ano para essa categoria acontece nos dias 12 e 13 de dezembro e segue a mesma formatação do Exame aplicado em novembro para os demais inscritos. No primeiro dia de provas eles farão os testes de linguagens, ciências humanas e redação, com início às 13h30 e cinco horas e meia de duração. Já no segundo dia, eles realizam as provas de ciências da natureza e matemática, com início às 13h30 e quatro horas e meia de duração.

Leandro Matos, detento há 11 anos no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), localizado no município de Marituba, na região metropolitana de Belém, é um dos inscritos ao Enem PLL. Aos 28 anos, ele aguarda uma oportunidade nova para a vida.

“Sou muito grato por terem dado essa possibilidade para nós. Muitas vezes a maioria fica aqui com o tempo completamente ocioso e só faz mal. Agora que surgiu essa oportunidade para que eu possa ingressar num curso superior, não posso perder. Alguns críticos dizem que temos que pagar a pena da pior forma possível, mas acho errado isso. Então chega o Enem que é uma ótima chance. Cabe a cada um decidir se quer ou não ter essa oportunidade.”, contou.

Perguntando sobre qual curso pretende cursar, ele diz que a “área psicológica” desperta sua curiosidade. “Gosto de livros psicológicos, é uma área que me familiarizo e gostaria de seguir, então pretendo psicologia para mudar minha vida e quem sabe dar um futuro melhor para o meu filho e para minha família”, complementou Leandro, que afirma que fora da prisão, não teve oportunidade de ir além do Ensino Médio.

Outro que também tenta essa mudança de vida é Ivaldo Brito de 25 anos, também custodiado no PEM I. Preso desde 2013 ele tentará passar no curso de engenharia elétrica. “Independente da nota do Enem, pretendo me esforçar ao máximo para reverter o quadro que me encontro hoje. Conclui o ensino médio já preso e vejo como uma grande oportunidade que a casa penal nos proporciona para termos um futuro melhor, com capacitação e formação”, comentou.

Aprovação e possibilidades

Presos que registrarem notas acima de 600 pontos no Exame poderão se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para tentar uma vaga nas universidades federais. É possível também tentar o ensino técnico por meio do Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). O Enem PPL permite ainda, disputar bolsas no Programa Universidade para Todos (Prouni), que facilita a entrada em universidades e faculdades privadas.

Contudo, a liberação de jovens infratores e presidiários para estudar nas faculdades e universidades, depende de aprovação da Justiça. Entre outros critérios avaliados pelos juízes, está o bom comportamento e a aplicação das pessoas privadas de liberdade em estudar.

Com informações do G1