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PF realiza 27ª fase da Operação Lava-Jato e prende ex-secretário do PT

Da redação | 01/04/2016 11:30

SÃO PAULO e CURITIBA – O ex-secretário geral do PT Sílvio Pereira e Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC, foram presos na manhã desta sexta-feira na 27ª fase da Operação Lava-Jato. Os dois tiveram prisão temporária decretada pelo juiz Sérgio Moro. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, do site Brasil 247 e ligado ao ex-ministro José Dirceu, são alvos de condução coercitiva. Cinquenta policiais federais cumprem ainda oito mandados de busca e apreensão nos municípios de São Paulo (3 mandados de busca ), Carapicuíba (1), Osasco (1) e Santo André (3), todos na Grande São Paulo. A 27ª Fase foi batizada de Operação Carbono 14, em referência a procedimentos utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos.

Segundo o procurador Diogo Castor de Mattos, Ronan Maria Pinto foi o beneficiário final de metade do empréstimo de R$ 12 milhões retirado para o PT, em nome do pecuarista José Carlos Bumlai, no Banco Schahin, quitado fraudulentamente depois que uma das empresas do Grupo Schahin fechou contrato de de US$ 1,6 bilhão com a Petrobras para a sonda Vitória 10000, em 2007.

Sílvio Pereira é suspeito de ter arquitetado o empréstimo para entregar o dinheiro ao empresário do ABC paulista. Delúbio Soares participou da reunião no banco Schahin em que foi fechado o empréstimo.

Os primeiros documentos envolvendo Ronan foram apreendidos no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef. Eram contratos de mútuo (empréstimo entre empresas) da S2, do publicitário Marcos Valério, com a Remar Assessoria, do Rio de Janeiro. Em seguida, num segundo contrato do tipo, a Remar repassou o dinheiro para a Expresso Santo André, de Ronan Maria Pinto.

Em novembro passado, a Polícia Federal descobriu que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, havia retirado empréstimo de R$ 12 milhões no banco Schahin para quitar dívidas do PT. O valor não foi pago. A quitação do empréstimo ocorreu fraudulentamente, quando um a das empresas do Grupo Schahin obteve contrato de UD$ 1,6 bilhão com a Petrobras.

Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR. Delúbio e Altman prestam depoimento na sede da PF em São Paulo. A investigação apura crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Dos R$ 12 milhões emprestados do banco Schahin, R$ 5,7 milhões foram repassados a Ronan. Em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério, condenado a 40 anos de prisão no esquema mensalão, contou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira o havia procurado em 2004 pedindo ajuda porque Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho estavam sendo chantageados por Ronan Maria Pinto. O empresário teria pedido R$ 6 milhões em uma reunião com Pereira e Valério para comprar um jornal. Segundo Valério, que tentava um acordo de delação premiada com a Justiça, Pereira disse que o valor havia sido obtido por Bumlai junto ao Schahin e repassado ao empresário.

– Havia corrupção na Prefeitura de Santo André e Ronan Maria Pinto teria participado do esquema. Foi inclusive condenado em primeira instância – afirmou o procurador Diogo Castor de Mattos, do Ministério Público Federal.

Mattos afirmou que eventuais provas deverão ser compartilhadas com a polícia paulista nas investigações sobre o assassinato de Celso Daniel, então prefeito do município de Santo André (SP).

– Nosso objetivo é esclarecer a lavagem de dinheiro – disse Mattos.

O lobista Fernando Soares, o Baiano também disse, em depoimento de delação premiada, que ouviu de terceiros que o empréstimo “teria sido tomado para pagar chantagem que o presidente Lula estaria sofrendo”.

O procurador afirmou, porém, que não há nada de conclusivo que ligue o pagamento de R$ 5,7 milhões a Ronan Maria Pinto e o assassinato de Celso Daniel.

– Tudo é conjectura, nada é comprovado. Por ora todas as hipóteses permanecem em aberto.

Um relatório da Receita Federal, datado de 11 de novembro e anexado ao processo da Justiça Federal de Curitiba, revela que há “grande possibilidade de que o real destino deste valor de cerca de R$ 12 milhões (…) teria mesmo de fato beneficiado, ao final, o cidadão Ronan Maria Pinto na aquisição em 2004 de 100% das ações do Diário do Grande ABC S/A”. A análise dos impostos de renda de Ronan indicaram “dívidas suspeitas”, segundo a análise do perito da Receita.

Para comprar parte das ações do Diário do Grande ABC, Ronan fez empréstimos de duas empresas de que ele mesmo é sócio: a Rotedali e a Expresso Nova Santo André. Embora tenham sido feitos em 2004, as duas dívidas não haviam sido inteiramente quitadas até 2014, ainda de acordo com a análise dos impostos de renda. O perito sugere que os fatos sejam melhor investigados, pois, na opinião dele, as dívidas não pagas poderiam ter servido para “dissimular a real origem dos recursos utilizados” na compra do jornal, que poderia ser o dinheiro de Bumlai.

Ronan sempre negou qualquer envolvimento na narrativa apresentada por Valério.

Ex-secretário do PT teria sido beneficiado por corrupção

Sílvio Pereira era próximo ao ministro José Dirceu, também preso na Lava-Jato. Segundo o procurador, há suspeitas de que ele tenha sido beneficiado com dinheiro de corrupção da Petrobras. Depois do escândalo do Mensalão, ele teria recebido um “cala boca” para sair de cena e se manter calado. Marcos Valério que foi Sílvio Pereira quem arquitetou o empréstimo para fazer o repasse do dinheiro a Ronan Maria Pinto.

– Foi Silvio Pereira quem acionou Marcos Valério para obter o dinheiro – explicou Mattos.

Breno Altman, levado coercitivamente a depor nesta operação, segundo a investigação, também foi citado por Marcos Valério. Ele teria providenciado pagamentos de multas a Enivaldo Quadrado, subordinado do doleiro Alberto Youssef flagrado no mensalão em irregularidades na corretora Bônus Banval.

– Os personagens se repetem. O pagamento a Enivaldo Quadrado foi feito pelo Altman até 2013, 2014. Enivaldo Quadrado confirmou que foi o PT quem pagou parte da multa a que ele foi condenado no Mensalão.

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