A Polícia Federal faz hoje um conjunto de ações para combater um suposto esquema de fraudes no saque do auxílio emergencial, benefício que vem sendo pago pelo governo federal principalmente a trabalhadores informais por causa da pandemia do novo coronavírus. O esquema tinha a zona sul de São Paulo como principal área de atuação dos saques ilegais.

Batizada de Operação Parasitas, a ação cumpre dois mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, todos em São Paulo. Foram mobilizados 18 agentes e os suspeitos devem responder por furto qualificado e associação criminosa, crimes que podem render até 11 anos de prisão.

Segundo a investigação da PF, que interceptou conversas telefônicas dos envolvidos no esquema, as fraudes começavam com a cooptação de agentes públicos com acesso ao CadÚnico, banco de dados que reúne informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Os agentes alteravam dados de pessoas cadastradas, em especial o nome da mãe do beneficiado e seu endereço.

Após feita a alteração, era feito contato no canal de atendimento da Caixa Econômica Federal, responsável pelo pagamento do auxílio emergencial. Os suspeitos solicitavam o encaminhamento dos cartões que permitem o saque para endereços fictícios, recebendo-os com a ajuda de um carteiro dos Correios. Com o cartão em mãos, eles faziam um pré-cadastro de suas senhas por telefone.

O esquema se fechava com a ajuda de uma funcionária de uma lotérica na zona de São Paulo, que permitia a confirmação dessas senhas, ao custo de cerca de R$ 30 por senha, e depois os saques eram feitos em agências bancárias. As retiradas eram realizadas na primeira hora em que ficavam disponíveis para evitar que os reais beneficiários desconfiassem das fraudes e pudessem bloquear o pagamento.

Quatro anos de fraudes

A investigação também mostrou que os envolvidos no esquema já atuavam anteriormente em fraudes a outros benefícios sociais, como o Bolsa Família e o seguro desemprego. O grupo realizava as fraudes há cerca de quatro anos. Quanto ao auxílio emergencial, a PF estima que tenham sido sacados ilegalmente pelo menos 45 benefícios.

Na semana passada, a PF já havia realizado a Operação Falso Samaritano, que também visava o combate a fraudes no auxílio emergencial e ainda tomou medidas contra um suspeito que ameaçou e divulgou dados pessoais do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e de seus familiares.

Com informações da Uol