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‘Passou de todos os limites a seleção muito clara de vazamento’, diz Dilma

Da redação | 07/04/2016 15:00

BRASÍLIA – Após a delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, ganhar destaque na imprensa, a presidente Dilma Rouseff voltou a condenar nesta quinta-feira “grampos seletivos” e disse que pediu que o Ministério da Justiça tome todas as medidas cabíveis para coibir vazamentos de informações sobre investigações em curso. Segundo Azevedo, a empreiteira fez doações legais às campanhas de Dilma e de seus aliados em 2010 e 2014 utilizando propinas vindas de obras superfaturadas da Petrobras e da Usina de Belo Monte.

— Nós poderemos ter nos próximos dias muitos vazamentos oportunistas e seletivos. Eu determinei ao ministro da Justiça a rigorosa apuração de responsabilidade por vazamentos recentes, bem como tomar todas as medidas judiciais cabíveis. Passou de todos os limites a seleção muito clara de vazamento em nosso país — afirmou a presidente em um ato de “mulheres em defesa da democracia” no Palácio do Planalto.

Em um discurso direcionado à plateia feminina e durante o qual chegou a se emocionar, a presidente Dilma disse que é vítima de ataques machistas e que não é “descontrolada ou autista”. Dilma voltou a falar em “golpe de Estado”, propôs um pacto para sair da crise política e afirmou que espera ter a “honra” de ter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro.

— É muito interessante notar que em relação à pressão há duas hipóteses que eles levantam contra mim. A primeira é que eu sou autista. Autista porque eu não reajo à pressão perdendo o controle. A segunda hipótese é essa que a revista levantou: que eu reajo com descontrole. Então a mulher só tem duas hipóteses: ou ela é autista ou ela é descontrolada. Acho que é um desconhecimento imenso da capacidade da mulher resistir à pressão, às dificuldades, às dores, enfrentar os desafios — discursou, sob fortes aplausos e gritos de apoio.

Dilma citou o câncer linfático que sofreu em 2010, lembrou que foi torturada durante os três anos que passou na prisão durante a ditadura e condenou a reportagem da revista “Istoé”. Segundo ela, a revista vem sistematicamente “mentindo, inventando, incitando o ódio”. Em sua última edição, a publicação fez uma matéria dizendo que a presidente está à beira de um ataque de nervos e tem, inclusive, avariado móveis em ataques de fúria. Segundo Dilma, trata-se de “uma peça de ficção com o propósito” de ofendê-la por ser mulher. Ela defendeu que a revista “Isto É” seja processada .

— Enfrentei, como muitas mulheres nesse Brasil nosso enfrentam, uma doença difícil. Eu enfrentei um câncer que me debilitou no início. Mas eu sempre dizia: “Enfrenta que você supera”. Mantive o controle, o eixo e a esperança. Eu estou enfrentando desde a reeleição a sabotagem de forças contrárias e mantenho o controle, o eixo e a esperança.

A presidente foi interrompida várias vezes por gritos de apoio da plateia, quase toda feminina. “Dilma, eu te amo”, “Dilma guerreira da pátria brasileira” e “No meu país eu boto fé, porque ele é comandado por mulher” foram os mais recorrentes. Eduardo Cunha, presidente da Câmara, o vice-presidente, Michel Temer, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e a imprensa foram alvos de duras críticas da plateia.

Antes de Dilma discursar, quando convidadas falavam, o mestre de cerimônias solicitou que a plateia tivesse “calma” para dar seguimento à cerimônia. Foi fortemente vaiado e chamado de “machista”. No começo do seu discurso, Dilma relembrou o episódio e disse que não iria “cometer” o ato novamente. Ela pediu “muita calma” à equipe do protocolo.

— Eu não vou cometer aquela frasezinha que os nossos companheiros do protocolo cometeram contra nós. Eu vou pedir pros nossos companheiros do protocolo que eles fiquem muito calmos — disse Dilma ao iniciar seu discurso.

A plateia respondeu com muitos gritos de apoio. Em sua fala, a presidente frisou que quer entregar um Brasil melhor para seu sucessor, mas apenas no dia 1º de janeiro de 2019. Ela também afirmou que todas as suas ações têm a redução das desigualdades como marca e que isso vem sendo feito desde a gestão do ex-presidente Lula. Disse que teve a honra de servi-lo como ministra e que gostaria de ter a honra de tê-lo como ministro.

— Eu tive a honra de servir o presidente Lula como ministra e espero também ter a honra de tê-lo como meu ministro – disse Dilma, completando: – Essa questão da construção e redução das desigualdades foi uma das prioridades e eu tenho a honra de ter sucedido também um presidente que foi o presidente Lula, que também deu ênfase a esse caminho — afirmou.

Ela voltou a condenar o ambiente de intolerância, afirmando que o comportamento está na origem de todas as formas de violência, inclusive o estupro e o assassinato. Para uma plateia extremamente apoiadora, ela construiu mais uma vez a narrativa de que o processo de impeachment não é amparado pela lei, pois ela não cometeu crime de responsabilidade e se trata, por tando de um golpe, um “golpe dissimulado”.

— Não está escrito na nossa Constituição que o presidente eleito pode sofrer impeachment porque o país passa por dificuldades na economia ou porque parte dos cidadãos não gosta dele por qualquer razão. Podem tirar um presidente se ele cometeu crime de responsabilidade. Num regime presidencialista como o nosso, é necessário ter base política e jurídica para tirar um presidente. Submeter-me ao impeachment ou exigir-me a renúncia ou tentar quaisquer expedientes que comprometam o mandato que me foi conferido é um golpe de Estado, sim. Um golpe dissimulado, com pretenso verniz de legalidade, mas um golpe — discursou.

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