O vice-presidente Hamitlon Mourão respondeu o ministro Gilmar Mendes, após o integrante da Suprema Corte declarar que o Exército se associou a um “genocídio” durante a pandemia do novo coronavírus.

“Se ele tiver grandeza moral, tem de se desculpar”, disse Mourão em entrevista à CNN.  Em nota divulgada nesta manhã, Gilmar afirmou que não atingiu a honra do Exército e manteve as críticas à “substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde”. Em reação, o Ministério da Defesa afirmou que entraria com uma representação contra Gilmar na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na segunda-feira, o vice já havia dito que Gilmar “forçou a barra e ultrapassou o limite da crítica”. Após as críticas do vice-presidente, o Ministério da Defesa anunciou que vai acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gilmar Mendes. Em nota assinada pelo ministro Fernando Azevedo e comandantes das Forças Armadas, a pasta repudiou veementemente a declaração do magistrado e afirmou que tem compromisso com a preservação de vidas.

Na ocasião em que criticou o Exército, o ministro do STF se queixava da decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro em manter Pazuello como ministro da Saúde interino, em vez de nomear um chefe definitivo para a pasta. Desde que Nelson Teich se demitiu em 15 de maio, o Ministério da Saúde é comandado por um militar de forma provisória.

A declaração ocorreu durante transmissão ao vivo realizada pela revista IstoÉ, no sábado 11. A frase de Gilmar Mendes foi reforçada pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que acusou o governo de promover “desmanche do Ministério da Saúde” e disse haver “aniquilação” e “ocupação militar” do órgão. Na sequência, o médico Drauzio Varella afirmou que “a entrada dos militares não honra a imagem do Exército”.