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Madrugada do impeachment tem rojão de confete, coxinhas, mortadelas e citação a Zé Ramalho

Da redação | 16/04/2016 09:00

BRASÍLIA – A primeira madrugada da discussão do impeachment, no plenário da Câmara, neste sábado, foi marcada pela diversidade dos argumentos dos que são favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e dos contrários à proposta. A sucessão tranquila dos discursos foi quebrada às 03h30, quando o deputado Wladimir Costa (SD-PA), na tribuna, suspendeu sua fala e disparou um rojão de confetes, cujo estampido assustou os poucos deputados e assessores presentes no plenário.

Cada partido tem direito a uma hora de discurso nessa fase do processo e, até às 7h, parlamentares de 16 legendas se manifestaram. Ao todo, 25 partidos têm direito à palavra. O cronograma está atrasado e os líderes, em especial da oposição, estão preocupados que a votação, no domingo, possa entrar na madrugada de segunda. Alguns partidos pró-impeachment, como o PSC, reduziram seu tempo para 40 minutos. E, ainda ao longo deste sábado, o plenário começará a ouvir 249 deputados inscritos para discutir o impeachment. Desse total, 170 são favoráveis ao processo e 79, contrários a ele. A oposição vai tentar diminuir esse número.

Nos discursos da madrugada, parlamentares da oposição e governistas se revezavam na tribuna. A Professora Dorinha Seabra (DEM-TO) citou os termos “coxinhas” e “mortadelas”. O primeiro termo é usado para identificar os opositores ao governo do PT e o segundo, os que lutam contra o impeachment.

— Preocupa-me muito este momento em que o nosso País está dividido e segregado entre pobres e ricos, entre negros e brancos, entre coxinhas e mortadelas, entre eles e nós — disse a parlamentar.

Também favorável ao impeachment, Marco Feliciano (PSC-SP) afirmou em seu discurso que quem votar contra o impeachment terá cometido suicídio eleitoral e listou uma série de sobressaltos que esse parlamentar passará no seu cotidiano.

— Seus filhos sofrerão bullying na escola, sua mulher não vai entrar no cabeleireiro e os vizinhos vão te olhar de soslaio — disse Feliciano.

Wladimir Costa, usando a bandeira do Pará como uma espécie de capa, amarrada no pescoço, comparou os petistas envolvidos em escândalos aos chefes de organizações criminosas. E surpreendeu ao lançar o rojão cheio de confetes, após afirmar que o que Lula e Dilma fazem é um “acinte”, uma “aberração”.

— É um verdadeiro tiro de morte no coração, na alma do povo brasileiro – afirmou.

Outro opositor do PT, Cláudio Cajado (DEM-BA) citou um trecho da canção “Da sagrada escritura dos violeiros”, do cantor e compositor Zé Ramalho.

— Finalizo, inspirado no grande músico e poeta Zé Ramalho, que diz: cada um nasce com seu jeito, sua classe, seus estilos. Uns nascem para agradar; outros, para brigar; uns para negociar; outros, para enganar. O mundo é assim mesmo. Um é bom; o outro, ruim. E eu não tenho nada a dar — afirmou Cajado.

Os governistas criticaram muito o vice-presidente da República, Michel Temer, e o associou ao presidente Eduardo Cunha.

— Há uma articulação sinistra de Eduardo Cunha e Michel Temer. Um conluio. Eles tentam um atalho — disse Orlando Silva (PCdoB-SP).

Outro deputado comunista, Rubens Pereira Júnior (MA), também saiu em defesa de Dilma e diz que a presidente não cometeu qualquer crime de responsabilidade.

— Não há um indicativo de crime ou ato de corrupção contra a presidente e, por isso, não pode haver impeachment — disse Júnior.

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