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José Dirceu é condenado a 23 anos de prisão por crimes na Lava-Jato

Da redação | 18/05/2016 11:30

SÃO PAULO – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi condenado nesta quarta-feira pela Justiça Federal em Curitiba a 23 anos e três meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outros nove réus foram condenados por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cabe recurso à sentença.

Responsável pelas condenações, o juiz Sérgio Moro escreveu não reconhecer Dirceu “como comandante do grupo criminoso” responsável por crimes na Petrobras, e deixou de aplicar agravantes na acusação de participação em organização criminosa contra o ex-ministro.

INFOGRÁFICO: PF mapeia dinheiro pago a dirceu

Preso em agosto do ano passado na fase da Operação Lava-Jato que ficou conhecida como “Pixuleco”, o ex-ministro está detido no Complexo Médico Penal, na região metropolitana de Curitiba e foi acusado de participação de atos ilícitos na gestão da Petrobras.

O ex-ministro é acusado de comprar imóveis e receber recursos de propina referentes a contratos negociados na Diretoria de Serviços da estatal, que era gerida sob sua influência, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Cumprindo prisão no julgamento do mensalão, Dirceu recebe nesta quarta-feira a primeira sentença condenatória na Lava-Jato. “O mais perturbador em relação a José Dirceu consiste no fato de que recebeu propina inclusive enquanto estava sendo julgada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal a Ação Penal 470, havendo registro de recebimentos pelo menos até 13/11/2013”, escreveu o juiz Sérgio Moro na sentença condenatória.

Na ação, o dono da Engevix, Gerson Almada, o operador da empresa Milton Pascowitch e seu irmão José Adolfo Pascowitch foram condenados por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Como fizeram acordo de delação premiada com o MPF, os irmãos Pascowitch terão penas reduzidas pela Justiça.

Os ex-funcionários da Petrobras Renato Duque e Pedro Barusco, e o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari, foram condenados por corrupção passiva. Eles foram absolvidos do crime de lavagem de dinheiro, por “falta de prova suficiente” de envolvimento em ilícitos para condenação, segundo Sérgio Moro.

Ligados a Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Júlio César dos Santos foram condenados por lavagem de dinheiro. Fernando Moura foi condenado por corrupção passiva e crime de lavagem de dinheiro.

Os réus dessa ação eram acusados pelo MPF de envolvimento em atos ilícitos na Petrobras, abarcando 129 atos de corrupção ativa e 31 atos de corrupção passiva, entre 2004 e 2011. Pelo menos R$ 60 milhões teriam sido pagos em propina envolvendo os atos investigados na ação.

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