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Fornecedor do PT recebeu imóveis para saldar dívida, diz ex-funcionário

Da redação | 10/05/2016 05:20

SÃO PAULO — Um dos principais fornecedores de campanhas petistas e suspeito de receber recursos em caixa 2 da JBS na eleição de 2014, o empresário do setor gráfico Carlos Cortegoso recebeu imóveis de José Carlos Bumlai como forma de saldar antigas dívidas de campanhas do PT, segundo um ex-funcionário. A informação consta de ação que tramita no Foro de São Bernardo do Campo, onde o ex-motoboy e motorista de Cortegoso, Jonathan Gomes Bastos, de 35 anos, cobra indenização por ter sido “laranja” de três empresas de Cortegoso, entre elas a CRLS Confecção Consultoria e Eventos, investigada na Operação Lava-Jato por receber recursos de propina de empresas beneficiadas pelo governo federal.

O motorista, que tinha salário de R$ 3 mil, entrou com o processo em função de dívidas registradas em seu nome, atreladas às empresas do antigo patrão. Ao se dar conta das denúncias de financiamento ilegal de campanha, o juiz da 5ª Vara Cível, Carlo Mazza Britto Melfi, determinou que as informações fossem compartilhadas com o MPF em São Bernardo, “para fins de apuração”.

Os imóveis citados pela advogada de Jonathan, Cristiane de Novais, já são alvo de atenção na Lava-Jato, por conta dos lucros obtidos no repasse. Pelos registros cartoriais, Cortegoso teria pagado a Bumlai R$ 371,9 mil por um dos terrenos, e o revendido a um fundo de imóveis do Banco Votorantim, cuja gestão é compartilhada com o Banco do Brasil, por R$ 1,6 milhão. O mesmo fundo comprou por R$ 798 mil um terreno adquirido por Bumlai, um ano antes, por R$ 185 mil.

“Ao apurar, o autor (Jonathan) verificou que havia imóveis que foram transmitidos para o autor e, os valores, nunca (foram) transmitidos a este mesmo”, escreveu a advogada de Jonathan, dizendo se tratar de “pagamento de campanha”, mas sem especificar qual.

Na ação, Cristiane escreveu ainda que, “aproveitando da humildade” de seu cliente, Cortegoso solicitou a ele documentos para que figurasse como sócio de três empresas.

“Ele sempre soube que seu patrão exercia serviços para partidos como o PT e outros, mas nunca participou de nenhuma reunião ou ato de administração”, por sua condição de “pessoa sem instrução”, escreveu a advogada.

Segundo ela, o ex-motorista figura como responsável por “débitos tributários e trabalhistas” das empresas, “correndo o risco de ter prisão decretada por apropriação indébita”.

Procurados pelo GLOBO, Jonathan e sua advogada não quiseram dar entrevista. Cortegoso admitiu que Jonathan era seu funcionário, mas negou ter recebido imóveis como pagamento de campanha.

— Isso é o que ele diz. A Justiça vai demonstrar se é verdade ou não — afirmou.

Em depoimento prestado em dezembro de 2015, Bumlai disse não ter tratado da venda dos imóveis com Cortegoso, mas com uma advogada. Afirmou tê-los adquirido de conhecidos que precisavam quitar uma dívida bancária.

Na segunda-feira, o grupo que administra a JBS negou novamente ter feito pagamentos para Cortegoso por qualquer uma de suas empresas, como denunciou Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, em conversas com procuradores federais para tentar fechar um acordo de delação premiada. O caso foi revelado pelo GLOBO no último sábado.

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