Teresina – Considerado um dos mais requintados restaurantes da zona Leste de Teresina, o Coco Bambu Teresina demitiu pelo menos 63 funcionários, deu férias coletivas para outros 60 e encerrou o contrato de outras 40 pessoas.

O motivo seria a crise que se instalou no comércio em todo o mundo durante a pandemia de coronavírus. Até a manhã deste domingo (22/03), já são quatro casos de covid-29 confirmados na capital. A determinação foi para que bares e restaurantes fechassem as portas.

Segundo o presidente do Sintshogastro, Franklin Batista, as demissões em massa aconteceram sem o aviso prévio indenizado, devido a pandemia de coronavírus. No Coco Bambu, os colaboradores demitidos fizeram um acordo e devem receber valores que variam entre R$ 1,5 mil a R$ 5 mil, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e também o seguro desemprego. Aqueles que terão férias coletivas recebem o valor em duas parcelas. O OitoMeia entrou em contato com o proprietário do Coco Bambu em Teresina, empresário Rafael Freitas, mas até o fechamento desta matéria ele ainda não havia se posicionado.

Atualmente, o Coco Bambu conta com 216 colaboradores. Com a suspensão das atividades de 163 funcionários, o grupo foi reduzido para pelo menos 53 pessoas. Franklin Batista avaliou como “respeitosa” a postura da empresa com os cerca de 123 funcionários demitidos, se comparada a atitude de outras empresas na capital. Os direitos, segundo ele, estão sendo pagos. Realidade diferente de outros estabelecimentos, onde os empregadores estão apenas ordenando que seus funcionários não retornem ao trabalho, sem explicar o porquê da demissão.

Questionado pela reportagem, o sindicalista não citou nomes, porém garantiu que 80% dos empresários teresinenses do setor de hotelaria e gastronomia estão realizando demissões em massa, sem pagar nenhuma indenização ao trabalhador. “Em alguns casos, eles mandam o funcionário assinar, e ele, desinformado, obedece sem saber o que fez”, disse. Desde que a pandemia se instalou em Teresina, o Sintshogastro fez acordos, até agora, com apenas 25 empresas.

“As empresas que estão procurando a gente estão realizando um acordo com o trabalhador. Mas tem outras que estão só demitindo sem pagar nada. Como é muita gente, em torno de 2 mil trabalhadores, não tem como arcar com todos ao mesmo instante”, explicou. 

Na sexta-feira passada (21), Batista disse que a direção decidiu fechar as portas do sindicato. Os seis diretores que compõe o Sintshogastro montaram escritórios em casa e estão atendendo a demanda de forma online. O presidente do sindicato disse que não iria se pronunciar sobre o cenário no momento, porém aceitou falar à reportagem do OitoMeia na noite deste sábado (21) e pretende lançar uma nota nesta segunda-feira (23).

Fonte Oitomeia