A curva de internações por insuficiência respiratória grave desacelerou no Brasil, depois de uma ascensão considerada vertiginosa em meados de março, diz a Fiocruz.

Na 13ª semana epidemiológica do ano, que vai de 22 a 28 de março, o salto de internações foi de 7% chegando a 5.992 contra 5.624 do período anterior equivalente.

As internações tinham crescido 163% na 11ª semana e 122% na 12ª semana em conjunto, os casos tinham saltado de 965 para 5.624.

A queda coincide com o início das medidas de contenção social implantadas pelos governos estaduais.

Mas ainda não é possível saber em quanto elas contribuíram para isso, diz Marcelo Ferreira da Costa Gomes, que coordena o InfoGripe, sistema da Fiocruz que, em parceria com o Ministério da Saúde, monitora os dados da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil.

Segundo ele, além do isolamento social, também os hospitais podem estar tendo dificuldade para alimentar o sistema da fundação com dados atualizados, já que estão lotados e focados em enfrentar a crise do coronavírus.

“Tal queda pode ser tanto reflexo de uma real desaceleração, fruto das medidas de distância social implementadas no território nacional, quanto do aumento no tempo para digitalização das fichas de notificação por sobrecarga das equipes dedicadas a isso em cada unidade de saúde ou vigilância municipal e estadual”, afirma Gomes. “A situação poderá ser melhor avaliada na próxima atualização do sistema, ao término da 14ª semana”.

A Fiocruz adota um intervalo de segurança por causa dos atrasos nas notificações. Assim, a 13ª semana epidemiológica pode somar, ao final, entre 4.309, caso, se registros forem revistos, ou 9.208, se eles forem feitos com atraso.

Nem todas as pessoas internadas com insuficiência respiratória estão contaminadas pelo novo coronavírus a SRAG pode ser causada por vários outros vetores, como influenza, adenovírus e os quatro coronavírus sazonais que já circulavam anteriormente.

A explosão de casos, no entanto, difere do histórico de anos anteriores e sugere que boa parte deles foi causado pelo novo coronavírus.

O perfil dos internados também mudou: em anos anteriores, a maioria dos pacientes eram crianças menores de 2 anos. Agora, a maior parte são de idosos com mais de 60 anos.

A distribuição etária dos casos com forte predomínio da faixa acima de 60 anos chama a atenção pois difere dos anos anteriores. Tal assinatura é compatível com o que vem sendo observado para os casos de COVID-19 no mundo”, diz o pesquisador da Fiocruz.

Do total de internados com problemas respiratórios na 13a semana, 1.177 tinham mais de 60 anos e só 298 eram crianças.

No ano passado, no mesmo período, a curva era diferente: 554 crianças estavam internadas, contra apenas 93 idosos.

Fonte Folha Press