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Cunha cogita denunciar manobras enquanto BC conclui existência de contas no exterior

Da redação | 14/06/2016 10:00

BRASÍLIA — O Banco Central encaminhará nesta terça-feira um relatório conclusivo à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho de Ética que diz que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua mulher, Claudia Cruz, mantinham contas não declaradas no exterior. O documento conclui que ele cometeu irregularidades e cobra multa do casal.

Sob pressão, Cunha deve ser julgado nesta terça-feira no Conselho de Ética. Ao GLOBO, o peemedebista reafirmou que está avaliando a possibilidade de comparecer à reunião, prevista para as 14h30m.

— Ainda estou decidindo se vou pessoalmente — declarou.

Aliados têm defendido a tese da renúncia dele à presidência da Casa como estratégia para facilitar a salvação de seu mandato. Na segunda-feira, por mensagem, ele negou que aceite renunciar. Agora, horas antes de uma possível decisão sobre sua cassação, afirma que não não haverá surpresa sobre a renúncia e critica o que chamou de “manobra” para impedir a votação.

— Não haverá nenhuma surpresa sobre a renúncia. Eles têm que votar a pauta. Engraçado que me acusavam de fazer manobras e, agora, quem está manobrando para impedir a votação são eles — diz Cunha.

Marcos Rogério, relator no Conselho, deu sinais de que os que defendem a cassação podem adiar a votação:

— Diante de tantos fatos novos, se houver provocação de aditamento, vou ter que analisar juridicamente. Não quero adiar a votação, mas isso pode exigir resposta mais elaborada. Não sei se seria possível investigar neste mesmo processo.

Dona do voto decisivo, a deputada Tia Eron (PRB-BA) chegou na segunda-feira a Brasília e vai votar, segundo sua assessoria, mas segue evitando conversar com colegas. Desde que não foi à sessão do Conselho, semana passada, ela passou a se manter trancada em casa, sem contato com parlamentares, e vem recebendo todo tipo de pressão e sofrendo ataques, especialmente nas redes sociais, por causa da avaliação de integrantes do Conselho de que votará pela absolvição de Cunha.

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