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Sem material, cirurgias do coração deixam de ser feitas e 400 pacientes correm risco de vida

Da redação | 17/02/2017 11:18

Fundação do Coração Francisca Mendes deixa pacientes à espera e familiares compram até medicamentos, porque falta tudo.

Para manter a mãe na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital, o serralheiro Raimundo Colares, 44, conta que a família teve que se mobilizar para comprar remédios para problemas do coração, diarreia, vômito e até mesmo de pressão alta. Segundo Colares, a mãe, uma idosa de 72 anos, aguarda a cirurgia para ponte de safena, há seis meses.

A informação repassada pelos médicos, conforme Colares, é que, embora a cirurgia seja urgente, a espera do material para a realização da cirurgia de ponte de safena passa dos 30 dias.

“Tem gente morrendo todo dia, aqui, porque a saúde não pode esperar. Eles falam que, agora, toda a compra de material é autorizada pelo governador e que está faltando material. A situação da minha mãe é urgentíssima. Se não é a gente estar, aqui, cutucando a ouvidoria, se não fosse a gente, talvez ela já tivesse morrido”, reclamou.

Longa Espera

Em situação semelhante, a técnica contábil Eliana Medeiros, 44, teme pela vida do pai. Segundo ela, a cirurgia foi realizada após um ano de espera, mas a demora fez com que o estado de saúde do pai, Teodoro Leal, 76, se agravasse. “Ele passou muito mal e conseguimos trazer ele para cá (Francisca Mendes). Mas, a assistente social mesmo nos disse que tinham 400 pessoas aguardando a cirurgia e outras mil que estavam tentando uma vaga. Eu tenho certeza de que, se ele tivesse conseguido a cirurgia no tempo certo, não estaria aqui, na UTI, correndo risco de morte”, disse.

Faltam Medicamentos

A falta de material para cirurgia é a principal justificativa passada pela direção, segundo os familiares. Mas a falta de medicamentos também é uma preocupação do serralheiro.

Colares contou que, nesta quarta-feira (15), foi solicitado do hospital um medicamento chamado Tiorfan, para o tratamento de diarreia aguda.

“A maioria dos medicamentos a gente teve que comprar. Eu e meus irmãos nos unimos para comprar. Agora mesmo tem um atrás de um (medicamento) chamado Tiorfan, mas já tivemos que comprar remédio para vômito, pressão alta, material mesmo, porque não tem nada aqui”, disse.

Família deve gastar R$ 8 mil para implantar marcapasso

Após cinco meses na fila, a da dona de casa Andrea Reis, 40, considera que a mãe teve sorte no procedimento, mas relatou que muitos pacientes estão morrendo com a falta de material para as cirurgias. Segundo ela, 18 dias depois da internação, a válvula usada para a cirurgia da mãe da dona de casa chegou ao hospital. “Minha mãe tem 65 anos, está na UTI, mas está se recuperando. Mas muita gente está morrendo naquele hospital, falta tudo ali. Ninguém tem condição de pagar para colocar uma válvula, que custa R$ 70 mil na rede particular. A sorte que calhou da minha mãe ser internada e logo chegar o material dela, mas tem gente lá que está há um ano lá”, afirmou.

Preocupada com o pós-operatório, Reis acredita que a instalação do marcapasso terá que ser feita em um hospital particular. O procedimento custa em torno de R$ 8 mil, conforme informou Reis.

“Eu não vou deixar minha mãe sofrendo, não dá para depender desse governo. É um descaso muito grande dos próprios governantes. Os médicos são bons e fazem tudo que podem, mas tem que ter estrutura, senão, eles não fazem”, afirmou.

A dona de casa denunciou, ainda, que o aparelho de hemodinâmica não está funcionando. A Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) informou, em nota, que a máquina de hemodinâmica apresentou defeito em uma peça, produzida pela Siemens apenas na Alemanha, mas que deverá chegar a Manaus, neste mês. A Susam informou que a direção da unidade negou a falta de medicamentos, destacando que a farmácia está abastecida.

“Com relação às cirurgias, a unidade informa que as mesmas estão ocorrendo normalmente, sem nenhuma interrupção”, diz a nota. A Susam não mencionou, entretanto, quantas pessoas estão na fila de espera para cirurgias na unidade.

O órgão informou apenas que os pacientes que precisam de cateterismo ou arteriografia, marcapasso e atendimentos da área de neorologia estão sendo atendidos em convênio com o Hospital Beneficente Portuguesa, na própria unidade e em convênio com o ProntoCord, respectivamente.

Com Informações D24am
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