Embora muita gente ainda desconhece a depressão – ou transtorno depressivo – é uma condição médica séria. Ela é caracterizada por alterações do humor, do comportamento, da cognição e vegetativas (anorexia, insônia, perda da libido). A psiquiatra e professora da pós-graduação em psiquiatria da faculdade IPEMED, Georgiane Haluch Moletta, destaca que a depressão gera um grande sofrimento e um comprometimento em vários âmbitos da vida, como laboral, social, familiar, educacional e outros. A psiquiatra cita os diferentes tipos de depressão e suas principais características, por exemplo:

Depressão maior: apresenta pelo menos cinco sintomas da depressão, por um período maior que duas semanas; estando presentes a tristeza e a perda do prazer e interesse. Costuma iniciar numa idade mais tardia, e responde melhor com tratamento medicamentoso.

Depressão bipolar: são as fases da depressão dentro do transtorno bipolar.

Depressão sazonal: é a ocorrência de quadros depressivos em determinadas estações do ano, geralmente no início de outono e do inverno, tendo sua remissão na primavera e verão. Há uma prevalência em mulheres e seus sintomas são atípicos (aumento do sono, do apetite, avidez por carboidratos e ganho de peso).

Depressão atípica: apresenta inversão dos sintomas vegetativos típicos, isto é, aumento do apetite, ganho de peso, aumento do sono, sentimento forte de rejeição e falta de energia acentuada.

Depressão puerperal: desenvolvida nas primeiras quatro semanas após o parto. Geralmente acomete as primíparas (primeiro parto), e um dos sintomas é a rejeição do bebê.

Depressão psicótica: o quadro depressivo é mais grave, tendo associado aos sintomas ideias delirantes e alucinações.

Distimia: é um transtorno do humor persistente, caracterizado por um quadro depressivo leve e crônico, com duração maior que dois anos, marcado por sentimentos de insatisfação e pessimismo.

Transtorno disfórico pré-menstrual: a característica essencial é a presença de labilidade do humor, irritabilidade, disforia e sintomas de ansiedade durante a fase pré-menstrual do ciclo. Tais sintomas se remitem no início da menstruação ou logo após.

Luto patológico: neste caso, avalia-se a gravidade e a duração, não sendo considerado o quadro de luto patológico antes de dois meses após a perda. Trata-se de um episódio depressivo pleno que advém do luto, sendo observado principalmente uma culpa acerca de ações não realizadas à época do falecimento, pensamentos sobre morte, preocupação mórbida com inutilidade, retardo psicomotor acentuado, prejuízo funcional prolongado e acentuado.

Sintomas

Os sintomas variam bastante de pessoa para pessoa e também de acordo com o tipo de depressão. Confira os principais destacados pela psiquiatra Georgiane:

  • Humor triste
  • Prejuízo da capacidade de sentir alegria e prazer
  • Falta de energia
  • Alteração do sono e do apetite
  • Dificuldade de concentração
  • Sentimento de culpa ou inutilidade
  • Pessimismo
  • Desesperança
  • Lenificação motora e do pensamento
  • Pensamentos de morte ou suicídio
  • Dores e sintomas somáticos (dor de cabeça, dores musculares, dores na barriga, etc.)
  • Os pensamentos suicidas, aliás, estão muito presentes dentro da depressão e são motivo de preocupação, pois fazem muitos pacientes enxergarem a morte como uma “fuga da tristeza” e uma “solução mais rápida” quando comparada com a busca por tratamento.

Causas

Georgiane explica que a depressão é de causa multifatorial, com influências biológicas, genéticas, psíquicas (desenvolvimento da personalidade e vulnerabilidades pessoais), sociais (exigências do mundo e relações interpessoais) e ambientais. Neste sentido, a psiquiatra destaca a causa genética e o desequilíbrio de alguns neurotransmissores como as causas mais conhecidas.

Há uma maior predisposição e vulnerabilidade de desenvolver depressão em indivíduos com histórico familiar. Neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina, dopamina e GABA também são responsáveis pelo surgimento da depressão. Existem, ainda, outras causas que podem desencadear a depressão. Veja quais são elas:

  • Disfunções hipotalâmicas/alterações hormonais
  • Alterações da estrutura cerebral
  • Uso abusivo de álcool e drogas
  • Privação do sono
  • Doenças crônicas
  • Eventos adversos/estresses emocionais
  • Traumas na infância
  • Vale destacar que, muitas vezes, duas ou mais causas “relacionam-se” entre elas e também com alguns fatores de risco.

Fatores de risco

As diferentes causas da depressão podem ser “alimentadas” com fatores de risco, como, por exemplo:

  • Isolamento social
  • Abuso de substâncias (álcool, drogas, medicamentos)
  • Abandono e/ou tratamento irregular
  • Pensamentos negativos, de que nada adianta fazer, que não tem solução
  • Traumas e abusos na infância
  • Sedentarismo
  • Má alimentação
  • Sono de má qualidade
  • Vale reforçar que é impossível se falar em uma única causa para o surgimento da depressão, visto que ela geralmente resulta da combinação de uma série de fatores.

Diagnóstico

Como a depressão é uma doença mental, destaca Georgiane, todo médico pode dar o diagnóstico. “Porém, é recomendado procurar o psiquiatra para fazer o diagnóstico e indicar o melhor tratamento”, diz.

“O diagnóstico é feito através da entrevista com o paciente e exame psíquico. Quando necessário, pode-se solicitar alguns exames para descartar patologias clínicas que possam parecer depressão”, explica Georgiane.

Tratamento

A depressão é uma doença crônica, ou seja, ela tem remissão dos sintomas, mas precisa ser acompanhada por psicólogos e psiquiatras.

Georgiane ressalta que a maioria dos transtornos depressivos evolui com melhora completa. “Porém, muitos fatores estão ligados para a melhora, recaídas ou cronicidade da doença, como a intensidade do quadro (leve, moderado ou grave), fatores psicossociais, presença de outros transtornos psiquiátricos ou doenças crônicas, traços da personalidade, uso de álcool ou drogas, entre outros”, acrescenta.

Beatriz explica que o tratamento da depressão é feito de forma medicamentosa e através da psicoterapia (a fim de mudar o comportamento depressivo e dar novas ferramentas para o indivíduo).

Os medicamentos, bem como a duração do tratamento, são indicados pelo médico psiquiatra levando em conta as particularidades de cada caso. E todas as orientações passadas pelos profissionais envolvidos no tratamento devem ser levadas muito a sério pelo paciente e pelos seus familiares, a fim de que esta condição grave seja tratada da melhor maneira possível.

Fonte: Dicas de Mulher