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Paulista vira palco de artistas de rua

Da redação | 01/03/2016 11:18

SÃO PAULO — Com 2,7 quilômetros de extensão, a avenida Paulista tem muitos significados para quem mora na cidade de São Paulo. É o centro nervoso do mercado financeiro e um dos pontos turísticos mais visitados na capital. Agora, virou palco de artistas e, principalmente, de músicos de rua. Eles se espalham pelas calçadas e sob as marquises dos prédios do espigão. Desde outubro do ano passado, quando passou a ser fechada aos domingos, das 9h às 17h, virou programa certo do paulistano.

É o caso de Márcio Henrique Aguiar, de 42 anos, que pode ser visto — e principalmente ouvido — quase todos os domingos, sob a marquise do Conjunto Nacional, um dos prédios mais tradicionais da Paulista, que ocupa o quarteirão circundado pela avenida e as ruas Augusta e Padre João Manuel, e a alameda Santos. O topete, as suíças, os óculos escuros e as roupas brilhantes não deixam dúvida sobre o personagem que ele incorpora, Elvis Presley.

Nascido na cidade, Márcio foi com os pais bem cedo para Minas Gerais. Voltou em 2010, decidido a se tornar artista. Antes disso, no entanto, foi morador de rua, vendeu picolé e, em maio de 2010, deu o primeiro passo para se tornar um dos artistas mais populares da Paulista aos domingos. Antes de chegar ao Rei do Rock, imitava Raul Seixas e Dinho Ouro Preto.

— Hoje, esse é meu marketing, meu ganha pão — explica ele, que diz ter mais de 200 figurinos para o seu personagem e exibe um equipamento de som de fazer inveja a muitos profissionais — Eu canto em inglês e sei o que estou cantando, não é “embromation” como falam — completa, citando e cantando versos de “Suspicious minds”, enquanto seus fãs param para fazer “selfies”.

Do outro lado da rua, em frente à entrada do Shopping Center 3, Fernando Ilha, de 27 anos, toca um repertório bem eclético em sua guitarra Gibson Les Paul, que vai de heavy metal dos anos 1980 e 1990 até Mozart, passando por Led Zeppelin, Metallica e Piknk Floyd. Tocando há cinco anos ali, Ilha consegue sustentar o filho Ian, de 2 anos.

— O dinheiro vem mais rápido aqui — diz ele, apontando para o estojo da guitarra, repleto de notas de dois e dez reais.

Acompanhado do irmão, Pietro Sambugaro, de 25 anos, e do primo, Raphael Pispico, de 23 anos, Ilha pretende montar uma banda, Evil Surf, para fazer shows. A atividade na avenida e alguns golpes de sorte, como ter sido filmado por Spike Lee em um documentário rodado pelo cineasta americano na cidade, o tornaram conhecido e ele espera se beneficiar disso.

— O João Gordo também já me viu tocar — conta, enquanto cumprimenta uma fã que saiu de um bloco de Carnaval apenas para falar com ele. — Como você vê, a maior parte da galera gosta.

Mais adiante, no asfalto entre o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a entrada do Parque Trianon, uma banda de rock Picanha de Chernobil se apresenta para uma pequena plateia. Segundo uma das pessoas que acompanha o show, a analista de sistemas Marcella Freitas, de 28 anos, o grupo tem uma página no Facebook na qual anunciam as apresentações.

— Quem me falou deles foi a minha professora de ioga — diz ela, sentada em meio a um grupo de amigos. — A gente acompanha e, quando não estou viajando, venho aqui para curtir um pouco. É bom ver os amigos, passear a céu aberto e não ficar enfiado num shopping.

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