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Em cena, como vivem os que jogam no time dos ‘nanicos’

Da redação | 13/03/2016 06:20

Entre os dados compilados no estudo “Os incentivos fiscais sob a égide da Lei Rouanet”, da APTR (veja acima), há um dado curioso sobre os chamados “pequenos proponentes”. De acordo com o levantamento, os 500 “maiores proponentes” do período de 2010 a 2014 captaram 75% dos recursos da Lei. Também segundo a pesquisa, anualmente são cerca de 3 mil proponentes beneficiados com o incentivo. Portanto, concluiu-se que haveria cerca de 2.500 proponentes por ano a viabilizar seus projetos com apenas 25% dos recursos.

Ao entrevistar alguns desses pequenos proponentes, que têm pouca visibilidade, lidam com investidores menores e, no entanto, têm capilaridade fundamental para o país, o estudo encontrou exemplos que, assim como os grandes produtores das capitais, defendem a manutenção da lei — por não enxergarem saída fora dela.

No entanto, fazem críticas duras ao seu mecanismo. Um deles é o Grupo Bagaceira, do Ceará, que há 15 anos faz montagens teatrais no estado e já teve cinco projetos aprovados pela lei (com orçamentos em torno de R$ 100 mil). Os sete integrantes vivem do trabalho do grupo.

— Um feito para um grupo sediado numa capital sem política pública para o setor cultural, longe das grandes empresas e com um setor privado engatinhando em relação à isenção fiscal — diz o diretor do Bagaceira, Rogério Mesquita. — Por isso, é fundamental estarmos inseridos nos editais públicos de empresas estatais que fomentem um trabalho de pesquisa, e a maioria deles exige a aprovação prévia na Lei Rouanet. Projetos de pesquisa e manutenção de um processo artístico a longo prazo não despertam interesse de empresas, que preferem patrocinar eventos. Nossos espetáculos são intimistas e têm capacidade máxima de público de até 40 pessoas. Daí a discrepância da lei: como não privatizar um recurso público? Como não engessar o mercado cultural de eventos ou grandes produções que são escolhidas pelos diretores de marketing das grandes empresas? Por que grupos como o Bagaceira só tem acesso à lei através de editais de empresas estatais?

Rogério conta que o grupo fez um “planejamento estratégico” em 2013, estudando as características de outros grupos e editais e chegaram à conclusão que os projetos de circulação eram os que tinham maiores chances de captar recursos. Em 2015, quando completaram 15 anos, decidiram só executar projetos de circulação:

— A circulação vem garantindo a sobrevivência do grupo. Ano passado, estreamos o nosso último espetáculo, “Fishman”, na Mostra Oficial do Festival de Curitiba. É um espetáculo cuja montagem não foi patrocinada por qualquer edital e saiu inteiro do caixa do grupo. Esse equilíbrio entre investimento direto e inserção nos circuitos de editais públicos e festivais vem segurando as nossas pontas. Em 2016 ainda não temos nenhum projeto aprovado ou em execução.

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