Assim como a ousadia dentro de quadra que o consagrou como o melhor jogador do mundo do futebol de 5 (disputado por atletas com deficiência visual) em 1998, Mizael Conrado tem se mostrado destemido nas decisões tomadas à frente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) diante da“maior crise que a nossa geração enfrentou e enfrentará”.

O presidente da entidade avalia a decisão de cancelar as competições internacionais no Brasil antes mesmo de o governo federal restringir a entrada de estrangeiros no país e sobre fechar o Centro de Treinamento Paralímpico quando ainda não se falava em isolamento social no país.

Centro Paralímpico Brasileiro, São Paulo, SP – VI Congresso Paradesportivo Internacional – Mizael Conrado.

O bicampeão paralímpico e mundial é taxativo ao não acreditar na realização dos Jogos Paralímpicos, caso a vacina contra a covid-19 não seja desenvolvida até dezembro deste ano. Ainda assim, Mizael pondera que não cabe ao Brasil fazer um planejamento pensando na hipótese de cancelamento. Difícil negar a frustração de ter o principal evento mundial adiado em um estágio em que o presidente apostava em uma participação “épica” da delegação brasileira em termos de resultados.

Sem perder as esperanças na ciência, que corre contra o tempo para desenvolver uma forma eficaz e segura de prevenção contra o novo coronavírus, Mizael ressalta o impacto coletivo da eventual realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.“Será um momento de congregação mundial jamais experimentado por nenhum de nós. Os Jogos serão a vitória da humanidade sobre o vírus”.