Rio de Janeiro – Jorge Jesus falou com clareza, em outubro, que não tinha apenas os três títulos nacionais portugueses, atribuídos a ele na sua chegada ao Brasil: “Dizem que tenho três títulos. Não são três, são treze.” A lista incluía seis Taças da Liga, o que significa pouco mais do que um estadual no Brasil. O que é importante não é o Campeonato Carioca. É o Flamengo. Se o Flamengo joga o Campeonato Carioca, o jogo é importante.

Assim, Jorge Jesus entendeu a competição, mesmo escalando titulares em apenas três dos sete jogos que disputou. O Flamengo voltava do mundo e ia brigar pela taça da cidade.

Por taça da cidade entenda-se o significado da Taça Guanabara, que nasceu em 1965, independente do Campeonato Carioca, do qual se libertou apenas em 1972, oitavo ano da disputa. A Guanabara era o estado criado pelo governo federal para dar à cidade do Rio de Janeiro o tempo para se adaptar ao fato de não ser mais a capital da República. Por 200 anos, o Rio foi a capital, da colônica, do Império e da República.

Então, nasceu o Estado da Guanabara em 1960, para dar ao município do Rio o status de estado, que teve enquanto Distrito Federal. O Estado da Guanabara era a cidade do Rio de Janeiro e a Taça Guanabara nasceu para celebrar a cidade. Até que houve a união e a Guanabara virou primeiro turno em 1972.

Antes ainda, Nelson Rodrigues descrevia o Campeonato Carioca inteiro como campeonato da cidade. Porque de todos os participantes, apenas o Canto do Rio era de Niterói. O torneio era mesmo municipal, dentro do Distrito Federal. América, Bangu, Bonsucesso, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Madureira, Olaria, Portuguesa, São Cristóvão, Vasco e, mais tarde, todos tinham sede no município do Rio.

Hoje, o Flamengo campeão da cidade, digo, da Taça Guanabara, escalou time misto para ganhar o primeiro turno e pensar na final. Ou melhor, para pensar no Mundial. Porque o sonho do Flamengo não é ganhar o campeonato da cidade, contra o Boavista, de Saquarema. É ganhar o mundo.

Fonte: Blog do PVC